Livros e Resenhas-Nosso tempo… Nossa visão

Dos cinco sentidos que possuímos, o da visão é o que parece ter mais relevância para nossas atividades, em especial as desenvolvidas individualmente. Parece que quando lemos Leonardo da Vinci dizer que “os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo”, temos uma pálida noção da importância contida nos nossos olhos e melhor dizendo, na nossa visão.

Ver é perceber ao redor, é armazenar na nossa memória aquilo que a frente encontramos. Diferente de olhar apenas, pois quantas vezes olhamos, mas não vemos o essencial ali contido e declarado? Por diversas vezes necessitamos ver mais além, deixar o HD do cérebro registrar de verdade e construir aquilo que perdurará na nossa memória visual.

Assim sendo, nosso tempo seria a nossa visão. O que vemos estará em nosso tempo e em nossa memória que não se desfará facilmente. E é interessante quando pensamos na importância da memorização do que outrora é visto para nossas lembranças futuras. Não somente olhar, mas buscar ver e, arriscaria dizer que sentir com os olhos.

Somente quem perde a visão ou não a tem por doenças afins desde pequeno, compreende melhor a importância do gesto do ver, do usar a visão concedida por Deus. Ao perdê-la, perde-se parte de um todo e o organismo entra bravamente na luta e embate se adaptando com os demais sentidos aguçados e explorados para suprirem a ausência de um deles perdido.

E quem outrora esteve vendo, porém por uma fatalidade não mais possui esse sentido, fica somente com a memória visual a ser usada, onde tudo que outrora viu e não apenas olhou rapidamente, será a lembrança e formação do que ouvirá ou lerá em braile, por exemplo. Passará a viver no desconhecido conhecido em parte pelo que já viu em algum momento.

E aquele que não teve nenhum contato com o mundo externo aos olhos? Não viu nada, somente vê o mundo ao redor pelos lábios alheios, pelo toque dos dedos e pelo que a imaginação permite limitadamente por não ter nada já formado no seu íntimo do ser. Ele passa a caminhar no mundo pelos olhos de outros com busca por viver e não somente existir.

O cego Bartimeu ao encontrar com o Messias pelos caminhos de Jericó, ao ser questionado sobre o que queria, ele apenas respondeu que queria ver. Não sabemos ao certo dentro de sua história se ele tinha perdido sua visão quando adulto ou jovem, tampouco se era cego por um problema congênito. Ver para ele era importante para sua história.

Falando um pouco da importância da história: não podemos deixar de considerar que necessário é sabermos esta para entender nosso tempo. E diria mais ainda: sabermos nossa história. O que temos armazenado em nosso íntimo através do bom uso de nossa visão ainda livre de mazelas das enfermidades susceptíveis e da idade cronológica?

Onde nossos olhos estão se fixando? Temos transposto aquilo que não enriquece e enobrece, tornando-nos melhores e maiores do que imaginamos, sem vanglórias? Temos nos acomodado ante o desafio de ver e não meramente olhar em uma única direção? Pode ser que a nossa visão nos auxilie a melhor entendermos algo novo em meio ao velho e a mesmice cotidiana.

Bartimeu a despeito de suas tristes limitações aparentes sabia sua história ao ponto de pedir ao Messias que pudesse ver de novo. Talvez ele tivesse uma pálida ideia de como eram as formas e cores ao redor ou ainda passasse por necessidades materiais, mas ainda assim, a importância a ele de sua visão e de quem era na história tornariam sua vida mais feliz.

E por fim, volto à frase de Leonardo da Vinci: “os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo”. Nossos olhos refletem nosso íntimo ao mundo, indiscutivelmente e assim, relevante nossa reflexão final e bem íntima e pessoal: o que temos refletido como espelho ao mundo? O que temos alicerçado na nossa memória visual antes de perdê-la fatidicamente?

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