“Essa é a minha história.

Uma história que poderia acontecer

 com qualquer pessoa,

e que vai te fazer pensar duas vezes

 antes de menosprezar alguém.”.

(RAQUEL MACHADO,

in: Vingança Mortal, 2014)

 

A escritora gaúcha Raquel Machado gentilmente cedeu uma cópia do seu suspense de estreia “Vingança Mortal” (2014, Editora Amazon, 120 p.) para ter a resenha incluída aqui no blog e eu fui incumbida da prazerosa tarefa.

Em uma narrativa recheada de diálogos, tornando a leitura bem rápida e dinamica, a trama acompanha principalmente Brenda, que após vários anos volta a sua cidadezinha natal Lageado Grande, para o enterro de Nicole, sua melhor amiga de infancia e adolescencia. Esse repentino falecimento faz com que Brenda recorde seus tempos de colégio e sua turma inseparável que, além de Nicole, contava com a estudiosa Elenor e a festeira Alice e seus respectivos namorados Ricardo e Luis.

Na juventude norte-americana é comum se criarem nichos muito restritos de agrupamentos, como os nerds só conviverem entre eles, assim como os esportistas. Contudo, um grupo heterogêneo de amigos é bem típico das escolas brasileiras – ao menos era na minha época de colégio, que acredito ser bem próxima a descrita pela protagonista – e a autora consegue recriar esse universo peculiar.

Na verdade, Raquel Machado é bem-sucedida não apenas em recriar o ambiente colegial – quem nunca mentiu para escapar da educação física? – mas também em reproduzir a vida de uma cidade do sul do Brasil, trocando os fast foods por restaurantes caseiros e os cupcakes ou coockies por grostolis – doce italiano comum no Rio Grande do Sul, feito de uma massa frita de farinha de trigo e ovos, polvilhada com açúcar.

Ao voltar a cidade, Brenda fica obcecada em desvendar os detalhes da morte da amiga. Acredito que negação, uma das fases de elaboração do luto, somada a culpa que Brenda sente por ter se afastado dos amigos, justifica as suspeitas sobre o acidente de Nicole muito mais do que qualquer evidência concreta.

Investigando o ocorrido nesses anos de ausência, Brenda revisita amizades que acreditou serem para sempre, enquanto questiona os rumos que deu para sua própria vida. Em certos pontos, as dúvidas da protagonista são as mesmas que acometem qualquer jovem adulto: Será que tomei as decisões certas para meu futuro? Será que a pessoa que eu escolhi para viver ao meu lado é a pessoa que eu idealizei ou se tornou um completo desconhecido? Vale sacrificar a vida pessoal pelo sucesso profissional? Porém, nesta trama, as respostas a esses questionamentos existenciais podem ser mortais.

Um maior aprofundamento na psique dos personagens teria tornado o livro mais denso, beneficiando o encerramento do enredo que, apesar de conter muita ação, é um pouco corrido demais. As 120 páginas de “Vingança Mortal” são ideais para uma noite de inverno regada a café e acompanhado por uma tigela de grostolis para solucionar, juntamente com Brenda, os mistérios de Lageado Grande.

E aí? Alguém conhece uma receita de grostolis para aproveitar a leitura?

 

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