“Eu gosto da janela. Eu gosto de vidro. Estar diante do vidro da janela parece que você está dentro e fora ao mesmo tempo.”

Foi assim. Nesta simplicidade de reflexão, ao tomar um café com uma jovem amiga, que pensei em como existem literatura e vida artística na inocência das pessoas. O vidro na janala. Você está dentro e fora ao mesmo tempo. Esta sensação é para poucos. Esta sensibilidade que atrai o amor e a paixão.

Claro que logo disse para ela:

– Vou escrever sobre isto.

Ela achou que eu estava ironizando. Certamente não conhece a cabeça desajustada de quem escreve as inspirações próprias ou alheias.

Faço rir, mas não brinco com as coisas sérias. Sentimentos são coisas seríssimas. Deveria ser proibido brincar com os sentimentos de alguém. As pessoas criam expectativas se não falar o máximo de verdade possível. Sobre fazer rir, eu faço rir porque surpreendo positivamente e a resposta é riso, o que é mais elegante do que brincar, eu acho.

Falar para as pessoas “você está brincando”, ou mesmo achar que é brincadeira, na maioria das vezes, soa mais negativo do que positivo. Um “Você está brincando, né?” (minha amiga não falou assim!) causa até um silêncio constrangedor ou uma resposta à altura do tipo “Brincando uma pinóia!”, ou irônico ou sarcástico “Ah, sim!”. Já o “Imagina!” como resposta é que a intenção da pessoa certamente é manipuladora: quer algo mas não quer que

Pois é. Não é bacana brincar.

Fazer acontecer traz tanta positividade! Como eu sou muito falador, a certa altura, ela disse “se continuar falando isto, vou me emocinar.” E os olhos dela marejaram. Quase que instantaneamente evitei seus olhos, o contato com seus olhos, porque facilita o outro controlar suas emoções. Em seguida mudei sei lá para qual assunto. Mas o fato é que acho que falava de minha pessoal experiência dos meus 18 aos 22 anos, que ja narrei em meu segundo livro.

Como disse, eu faço rir não porque brinco, mas porque surpreendo e isto agrada já que não entro no ridículo, que é o destrutivo. Gosto do inesperado, que é surpreendente. Quando positivo, claro.

A sensação de que o vidro transmite de estar dentro e fora ao mesmo tempo me surpreendeu. Fiquei feliz. Gosto de detalhes tão poéticos como estes, ainda mais quando a pessoa fala tão naturalmente e sem medo. E pude fazer o que mais gosto então: falar e ouvir bastante, tendo a certeza de que as palavram chegariam e sairiam com vida com a sensação de estar dentro e fora de nós ao mesmo tempo. A essência do vidro na janela me marcou…

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