Livros e Resenhas-São Paulo: metrópole solitária?

Caminhar pelas ruas movimentadas da grande metrópole de São Paulo é um exercício de paciência quando dentro de um carro, bem como para os pedestres, onde torna-se uma árdua batalha em horário de “rush” nos ônibus, metrôs e trens. É uma cidade que corre, porém, não dorme. Se houvessem mais de vinte e quatro horas ela, ainda assim, concederia atividades aos ilustres habitantes naturais e aos participantes da miscigenação que ela agrega satisfatoriamente.

É desafiador morar nela para quem vem de outro local, mas enriquecedor quando esse mesmo morador se acostuma e se adapta. Arriscado não tornar-se freneticamente lutador por sobrevivência própria somente. Difícil não adoecer por conta da dinâmica regada de trabalho e mais trabalho. Encantador quando se olha a mesma ingrata e movimentada metrópole como um oportuno momento de amadurecimento interpessoal.

Considerada estatisticamente a metrópole com um alto índice de doentes mentais, em especiais os esquizofrênicos, ainda carreia o estigma da metrópole solitária, para não sobrepujar a definição de alguns como a metrópole das falsas felicidades e grandes separações. Mas será isso mesmo? Acaso esse misto de ora benéfica, ora maléfica perdura na grande São Paulo que já sobrevive há quatrocentos e sessenta e dois anos? Estariam os habitantes da mesma, confinados a tais destinos midiáticos?

Por certo o ritmo da cidade nos impulsiona sim a caminhar a passos largos, de modo a corrermos e nos defendermos arduamente por falta de tempo para reconsiderações na grande maioria das vezes. Não há muito tempo para voltar e refazer o processo e trajeto da vida a nós confiada. Parece assim que as relações indubitavelmente se tornem não tão sólidas, margeando a solidão no íntimo de cada um. Acostuma-se assim à rapidez dos momentos e não mais se cria laço. Na grande maioria o nó está feito instintivamente e nem sequer percebemos.

E isso talvez esteja tão notório aqui, pois é a metrópole com mais de onze milhões de habitantes e com a maior concentração de outros povos. Classificada como com 6% de concentração de toda a população brasileira não deveria haver a distinção, tampouco o pré julgamento social e moral pelos olhos faltos alheios. Necessitaríamos assim de mais proximidade, mais tolerância e menos individualismo e menos pré conceito. Parece que o produto que nos tornamos é devido a esse meio classificado assim. Será?

Existem boas coisas por aqui também, a despeito do que a nós é ofertado classificatoriamente em público, mas existe também a necessidade individual de revisão de como temos sido como seres humanos a despeito de morarmos ou não nesta metrópole centenária. O que nos tornaria mais propensos a termos alguns dos distúrbios emocionais, como estresse, síndrome de burnout, depressão, suicídio ou esquizofrenia, além da bipolaridade tão comum? E o que nos tornaria mais solitários e falsamente felizes?

Nossas vidas são regadas de pessoas e não somente de coisas ou situações em que o dinheiro proporciona vantagens e privilégios. As pessoas sempre serão mais importantes do que qualquer processo. O que talvez compete a cada ser, um pouco mais, será a necessidade de procurar o outro, sair do casulo sem medo de transparecer carência, como imaturamente as pessoas classificam. Carência é também um processo que requer ajuda, e se não detectado no momento inicial, a tendência será de um sufoco e iminente prisão da mente e do coração.

Não somos ilhas, precisamos uns dos outros e demonstrar isso não é fraqueza, ao contrário, é nobreza da essência que há no interior. Tornar o outro feliz com nossa presença e zelo não é senão sinal de altruísmo e abnegado senso de empatia. Longe assim do egoísmo que impera nos milhares de corações.

A fria estatística poderá não ser real a nós, se buscarmos fazer a diferença dentro de cada um individualmente e bem assim ao nosso redor. Examinar-se a cada dia visando revisão da rota em que nossas relações estão seguindo, bem como buscar sair da zona de conforto são exercícios necessários. Dá para viver muito bem na maior metrópole do país a despeito do meio impositivo. Dá para ser feliz, solidariamente e não solitariamente, a despeito do adoecimento e reclusão social egoisticamente. É possível!

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