Blog Livros e Resenhas – Sem crise!/Fabi Colimoide

Dias áureos vivenciados no mundo ante a máxima de uma crise sem precedentes. Aspectos financeiros, sociais, morais, religiosos e por ai a lista se estende. Condições políticas ou laicas a parte, faz-se necessário repensar em um tipo de crise que acomete em algum momento todo ser humano.
Desde que Sócrates proferiu a máxima “Conhece-te a ti mesmo”, ocorreram mudanças significativas no rumo das discussões filosóficas sobre o conhecimento e a verdade. Creio que a grande revolução nesta proposta socrática foi a arte de se questionar, de perguntar, principalmente sobre o óbvio. O mundo assim teria uma nova perspectiva de melhores relações entre seres humanos do que com a propriamente verdade e seus fundamentos.
Certo é que quem não sabe que é e a que se veio ao mundo bem como para onde se está caminhando, pouco poderá contribuir e deixarão assim, em branco as páginas e as oportunidades ímpares e sagradas de desfrute dos anos aqui concedidos.
Saber nossas contribuições neste mundo e como elas poderão fazer a diferença, bem como conhecer nossa identidade e reconhecer o que se pode alcançar na vida do outro e vice versa, tornarão muito melhor os segundos, minutos, dias, semanas, meses e anos a cada um.
Essa crise pouco é difundida nas discussões, pois poucos pararam para pensar. Sim!Pensar em toda a sua magnitude e profundidade! E confesso, parece que estamos deixando de refletir, de ponderar, de parar para considerar e proceder as escolhas de modo mais sensato possível e esperado, a despeito de nossa idade cronológica. Não estaríamos pensando mais por nós mesmos? Como marionetes estariam sendo conduzidos pelos flashes de notícias e impactos ao redor?
Não quero crer ser verdadeira essa impressão, mas lamentavelmente podemos estar vivendo uma crise pouco mensurada, muito mais velada e camuflada do que imaginamos. A crise pode estar internamente em nós mesmos. Podemos estar em perdas gradativas de nossa identidade. Acaso, a aparência estaria ofuscando a nossa essência?
Essência ver de ser, de sua mais importante característica de ser, enquanto aparência vem de uma exterioridade enganosa e que não traduz o real do ser. Desde que nascemos várias foram as pessoas que nos cruzaram o caminho e ditaram o que acreditavam que éramos ou que deveríamos ser. Ao longo do nosso trajeto, ora estivemos sob a sombra de tais conceitos formulados, ora estivemos reluzentes e certos de quem éramos de verdade, podendo contradizer os outros.
Mas como saber de verdade quem somos então? Bem, essa pergunta é necessária de ser respondida e o quanto antes assim o fizer, melhor estaremos, conosco mesmos, com as pessoas ao redor e com Aquele que nos criou e dotou-nos de intelecto para pensar, agir e viver.
A autopercepção quanto maior for dia após dia, nos dará condições de melhores escolhas, seleção mais coesa e com respostas menos dolorosas de nossas práticas. Pensar e escolher são próprias de cada indivíduo. É um direito adquirido e um dever proposto dentro da sociedade em que se vive. Acarretar com as consequências é algo muito mais próprio, muito embora, nossas escolhas alcancem como consequências pessoas ao nosso redor. Por isso, fundamental pensar antes de agir. E para isso, vale-nos de autopercepção desenvolvida.
Quem somos realmente e quem gostaríamos de ser, vem de um autoconceito que nos impulsiona a sonhar, desejar e a aceitarmos nossas limitações. As crises existenciais aí podem se intensificar, pois se não soubermos quem somos e quem queremos ser, poderemos estar frustrados tentando agradar aos outros para sermos aceitos e aparentemente amados. Analisar a nossa trajetória até aqui e traçar novos passos daqui em diante ajudará nas definições fundamentais e pessoais de cada um. Certa feita li uma frase oportuna aqui: “para toda alma carente, todo amargo é doce”. Não incorramos no risco de necessitar de autoafirmação e cegamente do outro para sabermos quem somos de verdade.
E de nada adiantará vivermos sem a validação pessoal. Sim, autoestima é tudo. Se nossos comportamentos andarem na contra mão aos nossos sentimentos, isso poderá ser um sinal de que nossa autoestima não se encontra nos moldes necessários para uma vida saudável. A classificação de uma avaliação própria depreciativa e negativa do indivíduo traduz-se em baixa autoestima. Claramente perceptível nas auto sabotagens, onde o indivíduo abafa suas motivações, expectativas e valores existentes nele mesmos, porém, não reconhecidos pelo mesmo.
A revisão de nossos padrões de amor próprio deverá ser diariamente praticada, pois do contrário, nos encontraremos amordaçados em uma crise da qual nada, nem ninguém poderá nos libertar, exceto nós mesmos. Amor próprio é resultante de respeito, cuidado e um conhecimento real e nada imaginário que temos de nós mesmos. Quando enxergarmos nossas conquistas, nossas vitórias e realizações, não nos concentrando nos fracassos ocorridos, veremos mais oportunidades para agradecer e ver claramente nossa identidade nesta esfera social que vivemos. Necessário, portanto, respeitar nossos limites, bem como definirmos nosso espaço pessoal. E isso, ao contrário do que muitos classificam, não é egoísmo, mas sim, amor próprio.
Nossos valores, compromissos, aprendizados, limitações e amor em nossos corações poderão ser partilhados sem egocentrismo. Aliás, far-nos-ia muito bem, olhar um exemplo deixado nos ensinos do Grande Mestre Jesus Cristo, que disse e viveu com amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ele se misturou com os outros, mas não se diluiu nas opiniões e julgamentos alheios, ao contrário, sabia exatamente quem era, onde estava e para onde caminhava. Contribuiu assim para ao redor e viveu uma vida saudável a despeito de todas as crises possíveis ao redor, inclusive a pior de todas em si mesmo. Ele usou mecanismos aos quais nós também temos a disposição para vivermos e, sobretudo sobrevivermos a qualquer crise existente.

Texto escrito por: Fabi Colimoide.

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