Vamos comer um quilo de sal juntos?

Um adágio popular, e cuja autoria desconheço, me chama a atenção de modo inusitado. “Come um quilo de sal comigo e me conhecerás”. Por certo, é verdadeira essa máxima ante nossos olhos.
Como conhecer uma pessoa? Na verdade, não se conhece de imediato e leva um bom tempo conhecer o outro. O sal, o elemento em questão no adágio, é surpreendentemente relevante como toque especial na nossa relação com o alimento a ser consumido, por exemplo.
E aí, me reporto ao sal rosa que extraído manualmente da mina Khewra, a segunda maior do mundo, no Paquistão, é, hoje, considerado o mais puro e rico em minerais. Popularmente conhecido como Sal do Himalaia, sua coloração rosa deve-se à alta concentração de aproximadamente uns oitenta minerais em sua composição.
Esse sal rosa contribui para eliminar toxinas e age como purificador do sangue, além de fortalecer o sistema imunológico, entre outras tantas vantagens. Ele pode ser tanto consumido quanto utilizado em práticas de hidroterapia e cuidados com a pele, como em esfoliação.
A diferença entre esse sal e o comum, diga-se refinado, é notória. A começar pela quantidade de sódio na composição de cada um, onde no sal rosa, o quantitativo é bem inferior e contribuindo assim para um equilibrado consumo associado à prática desse hábito moderado. E outra diferença está no modo de extração e acréscimo de iodo no refinado quase que sinteticamente.
Reitero que o sal, além de conservante, onde mantém os alimentos, realça o sabor destes e nunca poderá ser consumido em grandes proporções. Isto quer dizer que, de fato, requer consumo moderado e temperante.
Recomenda-se um consumo de 5 a 6 gramas de sódio/dia. Em média, consumimos, sem perceber, quase o dobro de sódio recomendado, pois já está contido em alimentos, e ainda tem o acréscimo de sal que se coloca nos alimentos ingeridos. Usar com moderação é essencial para a manutenção da saúde, sobretudo.
Mas, propriedades à parte, volto-me à questão do comer um quilo de sal com outra pessoa. Hoje, mais acentuadamente do que em outros tempos, nunca as relações estiveram tão desgastadas e supérfluas. Não se tem tempo para solidificar e conhecer o outro.
E pior: não se dedica tempo para conhecer-nos a nós mesmos. A vida está num frenesi tão incontrolável que resta pouco tempo para aquilo que é essencial. Não nos preocupamos em conservar e realçar o sabor das amizades, dos novos amores e dos laços fraternos que nos unem.
Verdadeiramente, se quisermos conhecer o outro, teremos que comer um quilo de sal. Na medida, no uso moderado e realçando o sabor que seja melhor tanto para aquele que se permite conhecer quanto àquele que quer conhecer, tanto o outro quanto a si mesmo.
Semelhantemente ao Sal do Himalaia, precisamos estar ricos de propriedades benéficas para aquele que quiser consumir nossa essência, no que tange ao conhecimento de quem somos no íntimo e não naquela arriscada impressão inicial que tanto nos trai e nos afasta de conhecer de verdade o outro.
E por fim, recordo-me do que a Bíblia menciona quanto à importância do sal. O conselho é que sejamos como ele, dando sabor, se misturando e deixando sua marca por onde estivermos. Estamos sendo como o sal e ousando conhecer o outro no seu tempo e nosso também, a despeito dos riscos de vivenciarmos relações quer sejam insossas ou salgadas em algum momento, porém sempre com a busca pelo equilíbrio necessário?
Querendo ou não, somos como sal. Estamos temperando corretamente nosso viver ou estamos salgando-o? O que dizem as pessoas ao nosso redor? Pense nisto!

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