Blog Livros e Resenhas – Quanta vida há lá fora e aqui dentro/Fabi Colimoide

Comunicação vem de communicare. Somos seres comunicáveis e com necessidade da prática da mesma, independente do gênero. Dias destes, participei de um treinamento de liderança e o consultor mencionou algo notório e verdadeiro: comunicação não é o que eu falo, mas sim o que o outro entende.
Questionável? Em parte, pois não sabemos o que o outro interpretará e não podemos ficar enraizados no que o outro entenderá. Mas complemento com a prática de que, não é o que se fala, mas como se fala as pessoas.

Expressões como “pesado de língua”, “toma lá dá cá”, etc…todas obsoletas no sentido real de comunicação eficaz. Sim, pois sendo assim se constitui o inverso da comunicação desejada e necessária: transmito o que penso e quero de modo que o outro entenda. Sempre comunicaremos algo…Bom ou ruim…Certamente interpretado ou equivocadamente entendido.

Mas quero somente destacar que: precisamos nos comunicar além do silêncio ou monossílabos. Bem como além da rapidez que hoje temos a frente, onde um dia de vinte quatro horas parece necessitar de ter trinta horas para que vivamos de verdade. Parece que os diálogos reduziram-se a curtidas ou compartilhamentos por aqueles nas nossas listas de amigos, ainda que virtuais. Sempre seremos responsáveis por esse processo: do que o outro entende frente ao que comunicamos.

Hoje, um bilhão de pessoas em todo o mundo utilizam as redes sociais, com tempo dispensado na navegação com objetivo de adquirir o benefício do conhecimento ou apenas entretenimento. O que ocorre é que indiretamente nos relacionamos ao assim procedermos, uma vez que hoje somos na grande maioria, definidos pelo que postamos, curtimos e compartilhamos. Temos a disposição em nossas timelines de um verdadeiro dossiê, com fotos, vídeos, opiniões, dados e informações. Muita das vezes poderemos estar mais conhecidos virtualmente do que pessoalmente.
O que nos faria bem refletir em nossas relações nas redes sociais que massificam nosso tempo a cada fração de segundos é que há vida fora das mesmas. Existem pessoas dispostas a se relacionarem, usufruindo de uma boa conversa de olho no olho, mão na mão e cumplicidade de momentos que tecnologicamente não trará tanto benefício a nossa saúde emocional, social e psicológica quanto dessas formas nada arcaicas aos olhos de nossa geração y.
Outro ponto que vale destaque é como usamos as nossas timelines. São aplicados nas mesmas, nossas insatisfações, palavras de um baixo calão pelos mais exaltados e inconsequentes e ainda atitudes que nos tornam cada dia mais distantes uns dos outros, como términos de relacionamentos ou inícios dos mesmos.
Interessante que as redes sociais até tem ferramentas que ironicamente nos fazem lembrar de que o diálogo faz bem nos conflitos. Prova disto é que quem já passou pelo dissabor de ser bloqueado ou bloquear alguém, recebe antes de concretizar a ação, a pergunta reflexiva se não gostaria de antes enviar uma mensagem a pessoa que será alvo de um bloqueio. Ele induz indiretamente para que a possibilidade de esclarecimentos sejam aplicadas antes de banir definitivamente alguém do circulo aparente de amigos. Aliás, há opções de em nossos círculos, compartilharmos entre os classificados como amigos ou apenas conhecidos, além do público em geral.
E por falar em amizade, outra relevância a se refletir é no quantitativo de amizades que supostamente se pode ter nas nossas redes sociais. Parece que temos mais amigos virtuais do que mais chegados e prontos a ouvir de verdade. Estaríamos preferindo mais as relações a distância do que as proximais?
Cada vez mais a solidão afugenta nosso íntimo, pois estamos cercados de curtidas, compartilhamentos ou alguns comentários que nos amacia o ego, mas que no final, nos revela a vissitude da solidão em um quarto ou até mesmo em um banco de metrô de uma grande metrópole.
Parece que conectados estamos a todo instante e cada dia mais distantes uns dos outros e de nós mesmos. A velocidade e cobrança midiática é massacrante e sufocante. Falta-nos o ar das boas práticas até mesmo em nossas timelines. Faltam-nos as palavras doces e verdadeiras de pessoas reais. Não incorramos no risco de considerar nossos amigos virtuais sem o valor merecido dos mesmos. São valiosos e amigos em sua verdade presente, mas a prática de relacionar-se e comunicar-se pessoalmente ainda continuam sendo a melhor pedida nestes dias frenéticos e de relações líquidas.
As relações escoam rapidamente pelos valados da vida. Vida que deve ser latente em nossos corações. E que esses não se tornem tão obsoletos e insensíveis às curtidas e não curtidas, ou bloqueios ou indiferenças. Que nossa comunicação seja a mais transparente possível. Que a proximidade entre seres humanos sejam maiores e reais bem mais que um toque por touch screen num tablet, smartphone ou em tradicional teclado.
Finalizo ante a triste realidade possível entre nós usuários das redes sociais, a máxima a ser considerada: estaríamos incorrendo no risco de cada vez mais depositarmos expectativas na vida alheia, esperarmos dos outros o suprimento e aceitação que podem nos faltar? Estaríamos sendo-nos verdadeiros com as pessoas nas relações e, sobretudo conosco mesmos? Valer-nos-íamos de tempo para comunicarmos de modo transparente e com objetivo de solidificar as preciosas relações? Estaríamos deixando que a tecnologia ofusque práticas também saudáveis como leituras, atividades culturais e sociais e as relações com pessoas em sua proximidade e com riscos de amadurecimento que acompanham as aproximações entre os humanos?
De verdade, como diz uma canção, “tudo que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo, tudo muda o tempo todo no mundo. Não adianta fugir, nem mentir para si mesmo agora, há tanta vida lá fora, aqui dentro sempre”. Ou seja, temos em segundos as mudanças em contraste com a vida que lateja ao nosso redor e dentro de cada um de nós. Estaríamos vivendo a vida em sua magnífica plenitude ou incorrendo nas prisões tecnológicas de relações apenas virtuais que cada dia mais nos torna menos comunicáveis na nossa realidade? Temos tanto a compartilhar de nosso íntimo e valores, mas isso requer tempo até para solidificar o perdurável com o outro. E isso…requer tempo neste solúvel e escasso tempo a nós ofertado.

Texto escrito por: Fabi Colimoide

Blog Livros e Resenhase
Curta nossa página XD

Estamos no Google+

Comentários

Comentários