Qual o tempo de sua paciência? Antes de pensar e refletir a respeito do tempo de nossa paciência, pensemos quando estamos em desespero que se resume todo nosso tempo naquele momento.

Nosso desespero é nossa paciência ao infinito. O tempo não passa. Não penso diferente. O nosso desespero, ou em nosso desespero, temos todo o tempo do mundo, porque não temos mais nada e esperamos todo o tempo necessário. Nossa paciência atinge o ápice em nosso desespero. Paciência no sentido de ser paciente, dependente, não ativo.

O que é o desespero senão um ato de esperar com fé? Fé de que, não importa se em um minuto ou em uma década, nosso coração terá paz novamente. Me vem à cabeça a paciência que o desespero de uma doença grave exige de todos nós. Não importa o tempo; importa a cura. A cura é a nossa paciência. E esperamos o tempo necessário. Queremos a cura.

Fora nosso desespero e às vezes a indiferença, nossa paciência se limita a muito pouco tempo. Colocamos então um limite. E mandamos catar coquinho.

Eu, por exemplo, dedico poucos segundos a qualquer desafio de charada. Eu, por exemplo, não espero muito à mesa de restaurante. Eu, por exemplo, não espero muito a resposta de um “sim” ou “não”. Eu, por exemplo, levo a sério meu sim e meu não. Acho inclusive desonesto a pessoa morna, que não cheira nem fede, nem sim e nem não. Nem nada.

Posicionar-se rapidamente é respeitar a paciência do outro. Inclusive, não tirar a paciência do outro.

Aliás, se podemos ter pouca paciência para algumas coisas, é como se não sentíssemos a falta dela.

Mais exemplo. Ser agredido verbalmente machuca tão pouco quem tem paciência que depois a pessoa ri a respeito; ser ofendido na honra também nem cansa tanto a pessoa paciente. Nossa estima sabiamente equilibra-se na nossa paciência.

Nossa paciência é quase plena no equilíbrio. Não acho a vaidade necessária para a existência humana. A vaidade em si lembra a fraqueza. Ser fraco não nos leva a nada senão à compaixão, à dó, à piedade do outro. Quem quer ser vítima? Quem tem dom para vítima?

Quanto tempo devemos esperar pacientemente? Tenho por mim que se for mero desafio sem consequências (por exemplo, charadas), nem devemos perder tempo. Desista logo e não se canse psicologicamente. Mas se a dádiva de nossa vida estiver em jogo, o tempo necessário será nossa cura e a paciência um dos remédios importantes.

Há quem pragueje porque é ansioso. Há quem viva pacientemente porque a única alternativa. Viver exige comer, respirar e dormir. O resto para viver bem, exige tempo e paciência. Se não for para viver bem, nem gaste as suas preciosas energias. Somos (do ponto de vista “quântico”) energias puras. Trocamos energias. Sentimos as energias. Onde houver paciência, demoremos lá. Do contrário, boceje interiormente e vá ao banheiro. Ninguém se preocupará do escremento que faremos escondido, mas que algum dia será certo. A quem quer roubar nossa paciência, cocô neles.

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