Blog Livros e resenhas- Por Lugares Incríveis /Jennifer Niven

Falar de suicídio, doenças mentais, problemas sentimentais, ainda é um tabu na sociedade moderna. Há um medo, um receio que algo assim ocorra conosco ou com quem amamos.

Independente de credos religiosos, sociais e culturais entre outros, indivíduos que têm tendências suicidas precisam de ajuda, e existem pessoas que tem este mesmo problema e nós nem sabemos. Acredito que precisamos olhar para o lado e ver as pessoas como elas são de verdade – “pessoas” – que têm medos, sentem dor, amam, sofrem em silêncio e por muitas vezes aguentam calados agressões dos mais variados tipos.

 

Por Lugares Incríveis é o tipo de livro que eu não sei se recomendaria para qualquer pessoa, não pelo fato de ele ser ruim ou bom – ele é muito bom – mas pelo fato de se tratar de suicido, um tema polêmico na nossa sociedade, portanto fica a cargo de cada um ler essa resenha.

 

Blog Livros e Resenhas por lugares incriveisSinopse:

Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, a garota se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família.

Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.

 

Por Lugares Incríveis é o tipo de livro que escancara uma realidade horrível, medos e preconceitos sobre suicídio, tudo junto num pacote só. A autora consegue misturar muito bem o romance, o amor jovem e belo com problemas mentais e sentimentais sérios. A junção destes dois temas é feita de uma forma que instiga o leitor a ler até o final para descobrir onde esta história vai dar.

A narrativa é bem escrita e, melhor de tudo, é feita em primeira. Isto é um dos maiores acertos da autora, a narrativa em primeira pessoa é crucial para a história ficar crível e instigante. O desenvolvimento dos personagens é muito bem-feita, fazendo com que aos poucos consigamos conhecer quem é o Finch e a Violet.

 

Na minha opinião o melhor personagem é evidentemente o Finch, problemático, com toda a sua angústia, ambiguidades, os medos deles são críveis até de mais – em todos os momentos você torce por ele (para conseguir conquistar Violet, para conseguir se livrar do bulling, para se livrar do pai agressor e da família omissa).

A sua personalidade marcante e impactante pode dividir as opiniões, pois ele aparenta ser imprevisível, sentimental e controlado na superfície e um cara com um ódio nato por dentro, mas, além de tudo isso, ele consegue ser inteligente, poético, verdadeiro e divertido. Ele é muito mais do que as pessoas pensam dele e, principalmente, consegue ser muito mais do que ele mesmo pensa dele mesmo.

 

Violet consegue também ter o seu destaque, evoluindo através das páginas e seus problemas sentimentais (culpa, ódio, desespero) são palpáveis.

Ela consegue ser tão parecida com uma garota real, a ao mesmo tempo ser apenas uma personagem fictícia, porém que tem muito a nos contar – suas fraquezas são verossímeis e tão próximas da realidade, mas, ao mesmo tempo, são tão particulares.

Ao mesmo tempo ela consegue ser amável e meiga, por outro lado ela fica burra por não entender os sinais de Finch (quem sabe que sinais são estes?). Violet conhece Finch através de uma peculiaridade em comum, com o passar do tempo, Finch se torna irresistível para ela, lhe mostra que ele é muito mais do que parece ser e lhe dá a chance de aproveitar a vida (aproveite o momento). Sua vida mudará para sempre depois que conheceu o garoto, pois ele mostra quem ela foi no passado e quem ela pode ser no futuro.

As andanças de Violet e Finch são muito escritas! A autora quis com que nós leitores também experimentássemos o momento e os lugares, aproveitando ao máximo a magia do amor juvenil.

 

Uma das coisas que fica evidente no livro é todo o estudo feito pela escritora.  Estudo este que é tanto geográfico e literário, quanto sobre suicídio (índices e tachas americanas de suicídio entre outros), deixando o enredo crível e faz com que ele não se perdesse na mesmice (do primeiro amor, das tribulações da vida, e do “Á por que você fez isto comigo?”). Essa pesquisa feita pela autora foi essencial para a história, se distanciando e muito de livros atuais que falam sobre amores jovens, que levam consigo grandes tribulações e vario outros clichês eloquentes e, mesmo assim, conquistam um grande público. Um dos principais atributos do livro é não ser pretensioso e enganar o leitor no final da trama.

A história consegue ser contada tão bem, que quem lê consegue ser transportado ao universo fictício (más não tão fictício assim) de Finch e Violet, e faz com que torcemos para que eles fiquem juntos e para que possam aproveitar o melhor da vida.

A linguagem literária e poética do livro é fascinante, você se perde na poesia e nas referências literárias do livro.

Outra coisa legal é que a autora não perde tempo tentando desenvolver os personagens coadjuvantes, pois eu acredito que se ela fizesse isso, os personagens protagonistas perderiam o tempo necessário para que suas tramas fossem contadas com destreza e de forma coerente).

Através de uma trama que tem algo real, bem contada e coerente, personagens cativantes e intensos, mas sem se perder no melodrama, um grande estudo sobre temas variados para contar uma ótima história, o livro deixa uma mensagem para que olhemos para o lado e enxerguemos a outra pessoa e não um objeto ou alguém irrelevante, que falemos como uma pessoa ao nos relacionarmos com uma outra pessoa … sendo uma pessoa para uma pessoa.

Uma das grandes armadilhas da sociedade modernizada é não ver o ser humano como um ser humano, e sim um algo, um alguém qualquer, o cara que mora la em casa, o cara do trem, a moça da padaria, a atendente do telemarketing, contudo, no fundo todos somos seres humanos, amamos, erramos, queremos, gostamos, sentimos e vivemos.

Como diz a frase “carpe diem” (aproveite o dia)!

Apenas nas últimas vinte páginas você pode ficar um pouco entediado e louco para que chegue logo o final do livro e que seja digno para os personagens – tirando isto o livro é ótimo.

A autora foi muito bem ao retratar temas como suicídio, bullying, transtorno bipolar, culpa, agressões físicas e verbais, falta de comprometimento de pais para com seus filhos e o resultado que isto pode trazer para as pessoas. Esclarecimentos: só no final do livro eu entendi o que é o famoso “Apagão” do Finch.

 

Minha nota: Eu dou um 10.

Resenha escrita por: Marcos Vinicius.
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