Livros e Resenhas – Fiquemos em paz

Extremamente almejada e sacramentada entre as religiões e diversos credos ao menos na teoria, a paz é uma busca universal. Anseia-se por esta pequena palavra com sua significância que deveria ser de alcance mundial. Planos e metas são traçados para se conquistá-la. Recursos desmedidos surgem a cada dia por reuniões infindáveis governamentais. Cada vez mais necessária e duramente mais distante de estar nos corações.
Mas acaso seria possível uma paz mundial? Seria permissível a mesma nos corações de uma população de mais de seis bilhões de pessoas?
Poderíamos crer que sim, mas a paz que para nossa reflexão em poucas linhas seria a paz pertencente a cada ser humano. Sim, uma paz que excede o entendimento e a compreensão alheia, uma vez que essa mesma paz que tem como significado ausência de conflitos, relação tranquila entre cidadãos, cada dia mais parece querer ser roubada por outrem e jamais doada ao próximo. A vida transforma-se numa arena sangrenta de feridos corações que um dia foi um.
E acaso já nos encontramos com nossa paz sendo roubada? Por ora, teríamos ousado tentar roubar a paz alheia?
Levando em consideração que o significado da mesma visa boas relações humanas, é pertinente abordar tais riscos reflexivos nas relações tanto traçadas ou desfeitas diariamente. Um exemplo bem comum e corriqueiro que nos impulsiona a reflexão são relacionamentos que se rompem, na grande maioria traumática e uma das partes tende a querer tirar a paz do outro, talvez num misto de orgulho e descabido senso ou falta deste acompanhado de altivez.
Ficar em desvantagem não é tolerável, bem como reconhecer que algo acabou e necessário é recomeçar para ambos os lados, tanto a quem finaliza como quem viu o fim inesperadamente.
Parece que ver o outro bem, torna-se incômodo e a felicidade dele passa a ser mais relevante as nossas atenções do que a nossa própria felicidade. Saber que o outro não se importa mais impulsiona a de modo insano querer ferir aquele que pode ter dividido a mesa, a cama e até o creme dental. Nos casos de rompimentos de relações amorosas isso é comum. Quanto mais se tem em vantagem, mais se quer para evidente tornar a soberania sobre o outro.
E o que se ganha com isso? Aonde se consegue chegar agindo dessa forma? Tenho minhas dúvidas se o ponto de chegada será algo de paz daquele que assim procede. Creio ser guerra.
Porque não deixar o outro seguir o caminho em busca da felicidade? De fato seria amor essa atitude de tirar a paz do outro, deixando-o triste e infeliz não somente materialmente, mas emocionalmente? Não temos ideia de como nossas palavras ferem e nossas ações destroem. Pior de tudo isso quando outras pessoas são envolvidas nesta celeuma de guerra por soberania de quem fica na melhor. Filhos, pais e demais parentes aparecem nas disputas. As piores guerras ocorrem no interior com exteriorização ao redor.
Contudo, essa é uma ação que muito acontece e tristemente desconhecemos o outro que convivemos até nos separarmos e a guerra declarada se tornar.
Se o outro quer roubar a paz tão preciosa, voltemos-nos para a outra face da moeda. Da que está em nosso poder e que julgaria ser a mais valiosa. Refiro-me a postura daquele que sofre os embates alheios. Teria duas opções simples: revidar à altura, o que creio ser gasto de energia desnecessário e sem fim real. Ou, ofertar a paz que o outro na verdade não tem. Essa nossa paz de serenamente ver além, com sabedoria e sem orgulho ou raiva.
Essa paz somente aqueles que se permitem ver que muita das vezes é melhor perder um pouco aqui e ganhar muito mais acolá. O outro também tem direito de ser feliz. E nós também.
A paz interna é possível de ser sentida sim bastando apenas querer tê-la como construtivamente ao outro inclusive, embora, seja uma prática indigesta frente a nossos próprios dissabores de dar a mão à palmatória, de deixar a face exposta para dizer quem se é. Tais atitudes advêm de uma busca cada dia mais necessária por cada um dos mais de seis bilhões neste planeta. As pessoas são falhas e passíveis de agirem assim.
Em contrapartida, caberá a cada um de nós, ousar agir diferentemente do esperado “Quer tirar minha paz? Fique em paz, não a roube, o meu melhor divido com você, gratuitamente”.

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