Livros e Resenhas-Ostracismo de uma ostra

Ostracismo é um termo atípico, mas ao mesmo tempo foi relevante para a Grécia antiga, onde um indivíduo era desterrado, literalmente, com seus bens e posses como que confiscados e ele isolado se tornava por ser aos olhos da sociedade da época  uma grande ameaça ao redor.

Interessante essa situação: um indivíduo ficava por dez anos em completo isolamento do que possuía e das pessoas, consequentemente. Posicionar-se era perigoso na época e o esquecimento era ao que ele estaria fadado dali por diante.

Notoriamente, podemos então salientar a questão do ostracismo social ao qual alguns podem vir a vivenciar. E desse tipo faço menção a duas vertentes. A primeira é o isolamento social ao qual o indivíduo se submete por vontade própria e assim, não seria um ostracismo em si, uma vez que envolveu sua determinação de se isolar. E a outra questão trata-se do isolamento propriamente dito porque os outros assim o induziram. Mas, acaso em ambos, a vontade do indivíduo em si não estaria sendo decisória?

Um dito dos mais antigos na vivência refuta que as pessoas somente fazem conosco aquilo que permitimos. Nada é feito sem nossa autonomia repassada a outrem. Assim sendo, passar por uma situação de ostracismo é uma decisão bilateral, tanto de quem quer isolar o outro de seus pensamentos, vontades e posicionamentos sociais, quanto daquele que aceita se tornar isolado.

E aí quero associar a ideia, que nada tem de semelhante na significância, da importância de uma ostra – um molusco dono da capacidade de liberação de uma substância chamada de madrepérola quando um parasita a invade. Daí se origina as belas pérolas, que nada mais são do que o meio da natureza deste evitar a proliferação de tal parasita. Contrassenso essa situação, pois como pode ao ser invadido por um intruso, ainda esse molusco ofertar o seu melhor em pérola, com cor ou forma variante conforme sua saúde, ainda que depois de longos anos?

Assim poderá ocorrer também conosco, onde um parasita mesmo, que é aquele que vive à custa do outro, mine as forças e tira toda e qualquer vantagem existente e oportunizada pelo mesmo. Há, creio nesse processo, uma vítima e um algoz.

Ou será que a vítima quer ser vítima e algoz de si mesmo ao permitir tal condição?

Voltando para a questão do ostracismo em paralelo com a ostra e sua condição: não raras vezes seremos surpreendidos estando em situação de ostracismo, onde o outro nos faz isolarmos do nosso redor. Não falaremos mais, tampouco nos posicionaremos com equilíbrio, pois seremos como ameaça. Perderemos a nossa identidade em prol de um parasita que vai minando-nos gradativamente, como intenta na natureza fazer com a ostra.

E aí reitero a ação da ostra: ainda que sofra ataques de um parasita, ela age sutilmente e sabiamente, impedindo a ação continuada daquele que é nada mais do que um invasor em potencial.

Mas o potencial da ostra é que se destaca: ela fornece o seu melhor e obtém um produto a longo prazo de valor inestimável. E essa pérola que é tão cobiçada, revela-se do anonimato para o reconhecimento justo e necessário. A ostra não deixa de agir e viver, não sobrevivendo apenas, mas aproveita a situação para se revelar.

Em nossa vida do cotidiano, valer-nos-ia muito mais ponderarmos as ações ao redor que tentam nos silenciar e nos isolar como em ostracismo, nos anulando diante de toda a beleza que somos e podemos fornecer ao redor. Aliás, ainda que intentem nos paralisar e parasitar em nossa vida, que façamos como a natureza: liberemos nosso melhor ao outro, nunca revidando do mesmo jeito esperado por aquele que nos ataca.

Não é em vão que a pérola é mencionada, em uma das parábolas do Messias, como o melhor a ser encontrado onde, comparada ao Reino dos Céus, quando encontrada, é comprada por aquele que busca por tal valor, tendo vendido tudo o que tinha devido ao imensurável valor encontrado.

Sejamos como pérolas de grande preço dentro de ostras valiosas, e jamais em situação de um ostracismo impositivo e ainda que venhamos a ter algum impasse externo, que nos lembremos do conselho de Salomão, o homem intitulado como mais sábio, que diz: “Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade”. Provérbios 16:32 NVI

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