Assistindo agora a algumas cenas de surfing no Off, me deu vontade enorme de surfar (aprender).

Temos vontades. Que vontade você tem e ainda não realizou? Ser rico? Mas ser rico é apenas ter dinheiro. São os seis ou sete algarismos à esquerda de sua conta-corrente. Refiro-me (claro!) a realizar um projeto que sensibilize sua alma.

Eu sei, ser rico tocaria demais a sua alma quando você estivesse tomando vinho em Paris ou comendo uma pasta em Milão ou dentro de uma banheira de mármore em um belíssimo hotel em Dubai.

Mas ainda assim – como o ser rico dependem dos algarisos à esquerda -, que vontade ainda existe não realizada? Amor?

Mas amor (e não amar) depende do outro e da história criada por ambos, juntos. Sobre a essência do amor, cada vez me convenço de que – tirando os jovens adolescentes Romeu, 17 anos, e Julieta, 13 anos, e todos os demais adolescentes deste planeta – o amor é carência reprimida, se não houver a busca de realizar a vontade de ambos. Mesmo assim, ter vontade de realizar o amor é pequeno porque amar é o grande gesto da vida.

Eu entendo quão duro para quem ainda vive carente a falta do amor, como eu entendo para quem tem números à direta na conta-corrente e um sinal de menos no fim, e aquela cor vermelha em destaque, o quão ser rico justificaria demais o desejo de sê-lo.

Acho que vou surfar. Mas antes estou pensando nas desculpas para não surfar. O remédio das vontades que tomamos são as desculpas que nos convencem.

Eu amo a palavra vontade para ser honesto. Tenho pânico à palavra deculpas, e é a que eu mais uso. Parte, aliás, de nossa doença emocional vive nesta última palavra: desculpas. Desculpar-se a si mesmo é fechar portas da vida, né? Da própria vida.

Veja só. A desculpa de eu não ir surfar é não saber, estar acima do peso, morar em SP, não ter prancha, não ter tempo e, claro, não ter dinheiro. Devo arrumar outras aos poucos. Como das tantas outras desculpas de tantas inúmeras vontades sem realizar. Sendo a desculpa-mor a falta de dinheiro.

Olha o perigo – para terminar -, que grande perigo de ser ou ficar rico de repente com vários números à esquerda em nossa conta-corrente. Neste momento percebemos o quão vazios somos, e aí os buracos de nossa existência viram poços sem fundo. E isto dói. Dói muito descobrir-se vazio. Muito mais do que a ilusão do amor e o sofrimento da carência. Nossos vazios emocionais. Aliás, cansei de pensar em surfar. Quero, na verdade, publicar mais um livro. Logo mais… E lutar por leitores. Sou carente deles porque eu os amo. Verdadeiramente.

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