Ele fora um grande homem. Douto de grande conhecimento e letrado de modo diversificado, tinha a impetuosidade de se posicionar. Para alguns, seria de modo “agressivo”, para outros, de modo tão perspicaz a conduzir o pensamento alheio a formação de opinião fundamentada.

 

Saulo, assim procedia. Transformado em Paulo, muitas coisas haviam sido modificadas em seu íntimo. Sua determinação, apreço pelo que acreditava, sua liberalidade na forma de amar e zelo pelos que entrava em contato, não o libertaram de infortúnios ao longo de sua trajetória.

 

Suas intenções, não eram das melhores para muitos, ao contrário de outros que através de suas ações e palavras, ampliavam seu universo…pensavam racionalmente e viviam não de modo sorrateiro e em prisões sociais e midiáticas ao seu tempo.

 

Incomum tal homem, com grande personalidade, aliás, um grande homem. Reconheceu suas lutas e conflitos internos e sabia que teria que aprender a lidar com os mesmos.

 

Aprendeu a amar seu semelhante, independentemente das diversidades. Soube cuidar e zelar por cada indivíduo que em seu caminho fez morada, duradoura ou furtiva. Era um homem de posição. Sofreu muitas perseguições, ofensas, dissabores e até ameaças.

 

Mas em todas estas situações, ele extraiu grandes ensinamentos e compartilhou-os com os demais. Foi dele que saiu o aconselhamento de que temos de ser pessoas racionais, inclusive nas práticas religiosas e sobretudo nas espirituais. Ele ainda ponderou que havia combatido o bom combate, completado a carreira e guardado a fé…tudo isto em meio a algozes que queriam fazê-lo retroceder antes da sua morte.

 

Talvez esse ímpeto dele que tanto me atrai ao ler suas cartas de advertência, de amor, de zelo e de evidência de uma maturidade adquirida, onde não é o que se fala que se torna importante, embora estejamos certos e o mais coerente possível, mas sobretudo como se fala o certo, o que se acredita a qualquer pessoa. Paulo sabia bem fazer isso.

 

Ele permitira a vida lhe ensinar, ainda que a duras penas.

 

Semelhantemente nós, nestes dias, nos posicionamos por algo que cremos ou defendemos. Não se posicionar já é um ato de posição em si, ainda que em cima do muro.

 

Estar em cima do muro pode nos dar ampla visão, mas nunca o sabor de certezas de lutas pelo que se acredita. Vale a pena se posicionar neste mundo que não tem aparente posição alguma diante do que se precisa ser relevante de verdade. O que é passageiro é tratado com solidez e o permanente é tratado como supérfluo na sua grande maioria.

 

De que lado nos posicionaremos e em prol de quem ou o quê?

 

Estar em cima do muro não é ato de posicionamento, não mesmo.

Texto escrito por: Fabiana Colimoide.

Comentários

Comentários