Calma. Não podemos nos iludir. Os melhores momentos de um possível relacionamento amoroso são aqueles em que começamos a conhecer a pessoa. Os melhores futuros relacionamentos (caso sejam!) não se comparam com os primeiros minutos, as primeiras horas, os primeiros dias e semanas.

E o olhar no outro? O olhar. Não percamos o olhar no outro. Os melhores momentos do início de cada relacionamento acompanham os marcantes olhares. Olho no olho. Olhamos tudo no outro. Olhamos a fala, os gestos, as mãos, o andar, o modo como se senta, como entra e sai de qualquer lugar, como sorri para si, para o mundo, para nós.

Retribuímos com sorriso. Sorrimos com o olhar da pessoa; envolvemos tudo com muitas palavras silenciosas e até bem inocentes e ingênuas. O tempo revelará tão marcante início para nossa memória de felicidade.

Verdade também que os primeiros minutos de nossos primeiros encontros, com um pouco de percepção, revelam as pessoas. Seja para nossa felicidade; seja para a nossa frustração.

Se for um sedutor ou uma sedutora com interesses escondidos, podemos ter uma péssima experiência. Reciprocamente.

Quem não nos agrada nos primeiros minutos, nós geralmente guardamos o melhor de nós. Todos guardamos o melhor de nós quando não vale à pena compartilhar. A pessoa nunca nos conhecerá. Ficamos até mais idiotas. E deixamos nosso lado tosco se revelar, ganhar forma, corpo e infantilizar-nos. Mas para nos infantilizarmos intencionalmente precisamos ser muito maduros. Compreende?

O grande problema, porém, é quando temos o equilíbrio emocional e desconfiamos de nós mesmos. Não nos enganamos? Surgem dúvidas acompanhadas de um “mas e se ela não for tão infantil?”; ou um “talvez não seja bem assim, e aos poucos amadurece”; e ainda um íntimo “será que pode mudar com o tempo? Vai ser assim sempre?”.

Minha tese em resumo: na dúvida infantil, nossa intuição sempre será a mais certa a seguir. Ouça-a. Será sempre assim. Não adianta muito insistir. Não me refiro aos adolescentes, né? Eles podem e são infantis.

Passados os primeiros e reveladores minutos, horas, dias, semanas, que nos marcarão e seremos marcados na vida do outro, vem a esperança de que o outro saiba nos acolher com a atenção e cuidado necessário. Aí os primeiros momentos viram anos e décadas.

Por isto, os primeiros minutos serão fundamentais porque queremos ser acolhidos o máximo possível. No fundo, é tudo parte disto.

Convenhamos algo para terminar e deixar o pensamento entregue a si mesmo como reflexão. Como é gostoso o novo! No fundo, toda nova amizade começa no silêncio, com o olhar somente e o sorriso na boca; todo amor também é no silêncio. Eu amo as primeiras palavras, amo os primeiros momentos; os primeiros olhares; chego a sentir saudades do momento inicial. Reflito: “poderia ser sempre assim este relacionamento; poderia todo futuro relacionamento ser este início da descoberta do olhar.”

Mas o que eu amo mesmo é descobrir o outro no silêncio e, ainda mais, quando o silêncio basta e diz tudo. Existe algo mais acolhedor do que um agradecido silêncio? O amor está muito no silêncio.

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