blog livro – Não Enxergar Somente o que Quer

Estudar o cérebro humano deve ser a coisa mais fascinante da vida. Uma geléia cinzenta escura, cheia de ranhuras, pulsando fluidos em cada detalhe; a corrente elétrica do cérebro pode acender uma lâmpada incandescente 24h por dia, sem parar. Desta coisa de 1,4 quilo, num corpo de 70 quilos, o mundo ao nosso redor possui um vasto sentido, quando damos sentido ao mundo. Um sentido nada assustador: nos acostumamos com tudo (até com muitas dores emocionais).

Comunicar-se com as pessoas individualmente é uma grande e simples tarefa para nosso cérebro. Nosso cérebro sendo normal, passa a ler a pessoa em cada detalhe imediato. O modo como fala, as mãos, olhares, as respostas. Não temos palavras precisas para descrever o que vemos e intuímos no outro. Como nos faltam palavras, entra nosso inconsciente. Por meio de nosso inconsciente dialogamos coisas terríveis e reveladoras com as pessoas. Nosso inconsciente: um órgão tão importante – muito mais usado do que o consciente, e pouco aceito na vida das pessoas como realidade maravilhosa.

“Aprenda: por mais que você argumente etc., não vai fazer mesmo diferença: a pessoa só enxergará o que quer.” O inconsciente justifica este mal, sabia? Na verdade, o uso na repressão. A pessoa fechou seu inconsciente para o outro. Fala só o que sente como uma criança decobrindo o frio do gelo e o calor do fogo. Toda comunicação sem o inconsciente se resume ao que existe antecipadamente na cabeça sobre o outro. Não importa quão o outro tenha mudado. Como arquivos corrompidos e sem chance de deletar, as pessoas podem viver assim: ter uma imagem única de alguém. Isto é feio e bobo.

Imagine a imagem de um conhecido que não o víamos há vinte anos: toda imagem dele será a de vinte anos atrás. Mas ele pode ter mudado, certo? Manter a mesma imagem dele será ridículo para nós e constrangedor para ele. Porque ou ele não mudou nada, ou nós não mudamos nada, o que é triste.

Sou a favor de deixar o inconsciente se comunicar com liberdade. Até para resolver problemas pequenos como da solidão ou da falta de dinheiro, ou um enorme problema como de uma doença visivelmente emocional como depressão que tem virado física, como urticária crônica ou refluxo.

Como nota final. Acho triste a vontade de machucar emocionalmente as pessoas, e este aqui é um recado inconscientemente para as mulheres. Conheço um caso revelador de um conhecido. Ele gostava de uma menina e a menina gostava dele. Por um momento tiveram um delicioso relacionamento. Até se apaixonaram. Muitas coisas aconteceram. Distanciaram-se. Ele namorou. Ela também. Terminaram e voltaram a conversar. Ele gostando dela. Ela gostando dele. Ele queria tentar algo com ela. Ela não quis mais. Até aí faz parte. Triste é ela sair com vários caras, mas não com ele. Motivo? Machucar, ferir o inconsciente dele como um prazer sádico: não sou sua, mas machucarei você se possível. Convenhamos. As mulheres quando querem ser más, resgatam toda a primeira infância. O que este meu conhecido fez? Ora, nada demais. Quero dizer, abriu seu inconsciente para colocá-la no lugar ridículo dela. Ele a machucou também com palavras. Ele quis deixar claro que ela desaparecesse da vida dele com estes jogos infantis. Ele foi direto. Duro. Ela foi inocente. Julgou-se mulher e foi traída pelo seu próprio inconsciente. Ele soube ler e se comunicou muito bem com outros inconscientes. Eles nunca mais serão os mesmos um para o outro. A não ser que ela aprenda que ferir é fraqueza, e perdoá-lo pela sinceridade. O perdão prevaleceria então entre ambos.

Tente praticar seu inconsciente. Comece por não querer enxergar somente o que você quer. Perdoar nossas fraquezas e deslizes. Ouvir mais nosso inconsciente. Um modo bacana de viver.

Flavio Notaroberto, autor dos livros Contos Suaves e Não é Conto nem Fábula, Lenda ou Mito.

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