Livros e Resenhas-Na academia… o amor

Ela tinha retornado à prática de atividades física diariamente, sempre após o trabalho no hospital, onde  atuava como enfermeira. Tinha dias que se encontrava exausta, mas reconhecia que a prática do exercício era uma questão fundamental para que o seu bem-estar refletisse, primeiro em si mesma, e  também nos seus pacientes já bem idosos, os quais atendia diariamente.

Amante da sua profissão sabia bem o que era adoecer, pois via sempre a morte chegar como consequência da doença que acometia a homens e mulheres à sua volta. Os hábitos maléficos de um estilo de vida desregrado e inconsequente acompanham milhares de pessoas que estão no piloto automático, e não sentem a necessidade de autocuidado. Ao se cuidar, externa-se o amor a si.

Isto é um princípio daquele que criou cada ser humano. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo é também um exercício a ser praticado todos os dias, assim como ela fazia agora há três meses na academia bem próxima do seu trabalho. Tinha tido orientação de um dos professores do local, e seu plano de exercícios envolvia a musculação para aumentar a massa magra, já que tinha o corpo esbelto, porém com IMC abaixo do ideal.

Estava lá para se cuidar. Apreciava ainda as aulas de ginástica localizada e de pilates. Corria na esteira e não perdia as aulas de zumba, onde descobrira-se leve, solta e completamente realizada. Ainda tinha o desafio do spinning, onde teria maior gasto de energia e precisaria de um acompanhamento inicial. As endorfinas e a serotonina, que o exercício fornece, estavam presentes e beneficamente a acompanhavam.

Ela pensava, certa noite, enquanto estava num dos aparelhos de fortalecimento dos membros inferiores, no quanto as pessoas, como ela, não procuram se cuidar. Muitos procuram academia para fins estéticos, emagrecer ou outra finalidade, menos a de promover um completo bem-estar, ter a mente mais saudável para, inclusive, agir e viver melhor. Adoecer e envelhecer todos estamos susceptíveis, mas buscar qualidade de vida é uma necessidade. A mente e o corpo estão intimamente interligados.

Foi surpreendida pelo olhar e aproximação de um dos professores. Ele procurou conversar amigavelmente e a incentivava a continuar sempre na prática de exercício físico. Entre uma conversa e outra mencionou o privilégio que Deus deixou para cada ser humano, que é movimentar-se, ativando as células, reduzindo os riscos de doenças do sedentarismo, como obesidade, hipertensão, ansiedade, diabetes e hipercolesterolemia.

Estatisticamente, os números não escondem a realidade de cada indivíduo. Ela não queria fazer parte dessa exposição aos riscos. Continuaria a fazer sua parte. Naquela noite, coincidentemente, ela fora mais tarde para casa, pois estava com uma enorme vontade de comer e aproveitou a lanchonete da própria academia. Estava aguardando o ônibus quando o mesmo professor, com quem conversara, estava ao seu lado, também aguardando a condução.

Tiveram assim oportunidade de maior tempo de conversa, trocando informações inclusive sobre os estudos, projetos futuros e sobre coisas do cotidiano mesmo, do dia a dia. Naquela noite, ambos, embora sem pretensão alguma, estariam iniciando laços de amizade, além do ambiente da academia.

Os dias sucessivos estavam recheados de expectativa pra ela, pois se inscrevera para participar da corrida beneficente promovida pela academia, para a campanha do Outubro Rosa e ela queria participar. Inscrita na modalidade de corrida de bike, passou a frequentar as aulas de spinning, cujo professor era o que fizera amizade anteriormente.

As surpresas são fantásticas na vida de todo aquele que caminha a vida livre de preocupações ou atropelos. Ela, que havia terminado um relacionamento exaustivo há seis meses com um homem que não tinha definição de sua identidade pessoal, sem visão e perspectiva futura de uma vida juntos, tinha decidido ter um tempo para si e reafirmar o que cria que Deus queria para ela: felicidade plena.

Já aquele professor, um educador físico, estava há um ano solteiro após uma relação conflituosa com uma mulher doentia e bipolar. Decidira também ficar sozinho, a despeito das inúmeras mulheres que o assediavam constantemente. Ambos distraídos em suas atividades, estudos acadêmicos e afazeres que preenchiam muito bem o tempo. Mas ambos desconheciam que a lacuna do amor próprio e ao outro precisavam ser preenchidas.

E isso, eles estavam fazendo, conforme desejo inicial no coração daquele que os criara. Na verdade, Deus, na visão deles, tem interesse na felicidade dos seus filhos e usa o tempo para cicatrizar as feridas, refazer as histórias e conceder dádivas aos que assim creem. Tanto ele quanto ela foram surpreendidos pelo amor, um sentimento que fora incipiente e envolvente conforme os dias passavam, solidificando dia após dia.

Ele a auxiliou no preparo para a corrida que ocorreria numa manhã ensolarada na Av. Paulista. Ela não fora a primeira a chegar na reta final, mas teve o sabor de chegar e encontrar um moreno alto, com lábios carnudos e cujo rosto tinha a beleza de um homem viril e totalmente atraente. Ele a avistara chegando sobre uma bike, com um terno sorriso nos lábios sensuais, cabelos longos e loiros, acompanhados no corpo de uma mulher cuja essência envolvia o amor próprio e ao próximo. Isto, a ele, era a maior beleza dela.

Inevitável fora o longo e primeiro beijo de muitos outros que ambos trocaram após o abraço de vitória. Nesta corrida, o amor venceu, pois, a maior lição aprendida fora que necessário é o amor a si mesmo, como validação dos propósitos deixados por Deus, como por exemplo, o cuidado do corpo que criado foi para estar em movimento, livre de tantas enfermidades que existem pelos hábitos errôneos e desregrados praticados por milhares de nós.

Na verdade, se o ser humano tem a capacidade de amar, que ele inicie amando a Deus que o formou e ao próximo como a si mesmo e não mais do que a si próprio. Isto é também ter saúde em toda a plenitude desejada a cada um de nós. É a felicidade que dispensa outros mecanismos comumente usados como fuga da falsa felicidade, pois é perdurável a ação dos neurotransmissores em todo o ser, na mente e no corpo.

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