Nota do Editor

“Palavras, às vezes, podem ter um efeito muito maior sobre um coração do que um beijo”. (COLLEEN HOOVER, in: Maybe Someday, 2014)

9
LEITURA
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DIVERSÃO
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CONTEÚDO

Maybe Someday | Colleen Hoover

“Palavras, às vezes,
podem ter um efeito
muito maior sobre um
coração do que um beijo”.
(COLLEEN HOOVER,
in: Maybe Someday, 2014)

Uma das mais prestigiadas representantes do YA-lit – Literatura Young Adults – a americana Colleen Hoover se sobressai ao não seguir uma fórmula de sucesso em todos os seus livros, o que é muito comum nesse gênero literário. Inovando no ritimo da escrita e nos caminhos percorridos para desenvolver o enredo, cada universo ganha uma atmosfera única, prendendo a atenção do leitor da primeira à última página. Digo isso por experiência própria, pois já li pelo menos uma meia dúzia de suas obras.

Ainda sem uma edição brasileira, “Maybe Someday” (2014, Editora Atria Books, 249 p.) talvez seja um dos livros mais ousados da autora. Sem vilões e mocinhos, apenas as circunstâncias da vida, que às vezes, podem ser bem controversas.

Sydney, no dia em que completaria 22 anos, vê sua típica vida de universitária desmoronar ao descobrir que seu namorado, com quem relutava em ficar noiva, e sua melhor amiga mantinham um relacionamento secreto. Traída e sentindo-se humilhada, a garota encontra em Ridge, seu misterioso e atraente vizinho, abrigo e apoio.

Mantendo, até então, uma amizade unicamente através de whatsapp, o vizinho oferece um quarto em seu apartamento em troca das letras escritas por Sid para suas melodias. E é através dessa parceria musical que os dois encontram o que nenhum deles estava procurando: afeto e conexão verdadeira. E é essa cumplicidade natural que ambos terão que lutar contra já que o músico também ama Maggie, sua namorada de longa data.

Ridge definitivamente está longe de ser o galã de romances que estamos acostumados por diversos motivos que não poderei detalhar para não revelar nenhum spoiler, mas fica impossível não se apaixonar pelo talentoso compositor, principalmente porque Colleen Hoover intercala cada capítulo entre as perspectivas de Ridge e Sidney.maybe-someday-novel-portraits

Sustentando-se no uso da tecnologia para aproximar as pessoas, a narrativa depende de aplicativos para celular e redes sociais para se desenrolar, o que torna o livro não moderno, mas totalmente natural como nosso dia-a-dia. Afinal, quem consegue ficar desconectado?
Mas a grande ousadia da autora está em extrapolar os limites do livro ao tornar real as músicas que Sid e Ridge compuseram durante a história. Em parceria com o cantor Griffin Peterson (ex American Idol), Colleen Hoover disponibiliza gratuitamente no site oficial do livro – http://www.maybesomedaysoundtrack.com/ – as oito canções para serem acompanhadas durante a leitura. Vale notar que as letras das duas canções escrita por Ridge antes de conhecer Sidney, “Living a Lie” e “Something”, deixam claro que o motivo do seu bloqueio artístico se deve ao receio de encarar as decisões que precisavam ser tomadas.

Assim como temos afinidade com certos livros, o gosto musical é extremamente pessoal, mas, além de ter apreciado o som, a experiência auditiva somada as emoções do romance me agradaram de uma forma surpreendente, fazendo com que me angustiasse juntamente com os dilemas dos protagonistas.

Não são somente Sidney, Ridge e as músicas os pontos fortes do enredo. Os personagens secundários são tão bem concebidos que tem direito a atenção especial. Maggie ganha um merecido epílogo – também disponível no site – e Warren, amigo de infância de Ridge, sofrerá nas mãos da difícil Bridgette no novo romance “Maybe Not” (Colleen Hoover, 2014, Editora Atria Books, 129 p.). Atrevo-me a dizer que também torço para um livro focado no irmão cantor de Ridge. Quem sabe o que pode vir por aí?

Agora, para quem não aprecia ler em lingua inglesa, só resta ficar na espectativa da tão aguardada tradução. Mesmo várias obras de sucesso de Colleen Hoover já terem sido publicadas no país, “Maybe Someday” ainda está na lista de espera, mas vale a pena aguardar a edição brasileira.

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