Livros e Resenhas-Maturação

Na natureza é bem perceptível esse estágio de desenvolvimento das frutas de prontas se encontrarem para serem consumidas, por exemplo, onde sua semente estando totalmente formada e pronta para a disseminação, pode adquirir características de mudança de cor, intensificação do cheiro e até mesmo queda deste fruto da sua origem vegetal, como por exemplo as maçãs quando caem da macieira.

No reino animal, quando o organismo se encontra apto para a reprodução, estão assim, na maturidade sexual e os que não se encontrarem neste ponto, estarão imaturos propriamente dito.

E quanto a nós, seres humanos racionais, estaríamos em pleno processo de maturação quando? Haveria algum momento nitidamente real para todo e qualquer ser humano no que tange ao processo de amar e saber viver?

O amor e a crença são atributos doados livremente a todos sem distinção, uma vez que temos todos a capacidade de dar e receber amor e crer em algo ou alguém. A grande diferença consiste, talvez, na intensidade dessa forma de crer e amar. Uns mais e outros menos, certamente e assim, o que Piaget diz, faz sentido, uma vez que cada ser humano tem que passar por diversos estágios para alcançar a maturação.

Estaria assim em constante transformação, com vivência de experiências onde assimila e acomoda em seu íntimo as mesmas de acordo com suas necessidades.

O contrário do processo de maturação seria classificado como estando “verde”, mas no fundo trata-se de ser imaturo. E essa classificação muita das vezes soa como depreciativa àquele que assim for classificado como imaturo ou imatura. Algumas vezes, conflitos psicológicos poderão contribuir para eventos importantes, tornando assim um processo essencial para o desenvolvimento individual. Conflitos internos poderão ser benéficos nesse sentido.

E acaso, alguém estaria de tudo maduro nesta vida? Quando estaríamos prontos de verdade?

Confesso que há controvérsias de que a idade cronológica que cada um carrega em seu registro geral seria determinante para classificar a maturação de alguém, inclusive para amar e viver.

Amar envolve experiência pessoal e interpessoal, ainda que sejamos aptos desde o ventre materno a amar, dar amor e recebê-lo. Uns recebem mais, outros menos. Uns dão mais amor, outros não dão quase nada, mas em todos estes, cada indivíduo demonstra carecer de maturidade no campo desse sentimento enobrecido e, digamos, vital.

Amar, torna-se universal e atemporal, pois independente do tempo ou local, todos necessitamos de sentir em algum momento, senão em todos os momentos da vida tão passageira e corriqueira, essa gostosa sensação de amar e ser amado. É o combustível que conduz a vida em sua plenitude.

O modo e a maneira, não serão tão relevantes, quanto a necessidade de assim sentir e fazer-se sentir no outro. Aflora a vida contida no peito, aviva a alegria de pertencer e de ser e estar. E em se tratando de ser e estar, valer-nos-ia bem crer que ser será muito mais necessário do que estar.

Assim, ser um ser humano com capacidade de amar, condiz com a diferença de estar na condição do mesmo ser humano que ama. Afinal, nem todos que estão amando, são amados e amam de verdade. Existem momentos de mecanização nas relações e verdadeiras prisões quando nas paixões, outrora cegas.

Vivemos como em gaiolas de loucos, inconsequentes e sorrateiramente deixamos de amar, pois a paixão como sua definição mesmo salienta, aprisiona. O amor liberta, enobrece e torna aquele que ama e o que é amado, em um ser grande. Não grande de si mesmo, mas grande na capacidade de viver o amor.

Esse mesmo amor que é-nos deixados desde o ventre materno, expresso pelos candidatos a maternidade e paternidade contribui para nosso processo de maturação. Aprende-se nesta experiência que não se vive mais para si somente, sem anular-se, mas sempre, abnegando-se frente ao outro que se torna motivo de solidificar a prática amorosa.

Por certo, em tempos de liquidez nos sentimentos que são substituídos pela validação das coisas palpáveis, existe o exercício contínuo de amar e ser amado. Sem clichê de que há imaturidade ainda, pois nunca, verdadeiramente, estaremos prontos para amar, uma vez que é condicionante a oportunidade de sentir e viver o amor, ainda que sem a maturação ainda que necessária, aos olhos das pessoas ao redor.

Estamos em constante processo de maturação, onde teremos a oportunidade de permitirmo-nos que as mudanças ocorram e ainda que venhamos a ter que cair, como as frutas caem da sua origem quando maduras, que não percamos nosso princípio da capacidade de amar e ser amado, pois isso é nossa alavanca para a vida em sua máxima condição como ser humano.

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