Livros e Resenhas-Alcance os corações e ali permanecerá

O coração é o órgão vital e incansável no trabalho de bombear o sangue para todas as partes do corpo. Não cessa sua atividade um minuto sequer, exceto quando entra no estado de assistolia e confirmado fica pelo exame de eletrocardiograma, por exemplo. Não há naquele momento mais o funcionamento do complexo P, seguido de QRS e T.Aparece um traçado contínuo numa tela e folha de papel próprio. Cessa a vida.

Interessante, a parte esse detalhe, que qualquer profissional de saúde ao olhar detecta a iminência da falência do órgão capaz de carrear vida e se encontrar no estado de morte, muita das vezes, de modo abrupto.

Mas, morte do mesmo a parte, sugestivo será reflexão sobre a vida contida neste pequeno músculo cardíaco, localizado na região do mediastino e com leve propensão para a esquerda. Fisiologicamente, alguns indivíduos poderão ter uma classificação de miocardiopatia dilatada, ou seja, um coração aumentado.

Em outras vezes, o mesmo órgão poderá estar com áreas enfartadas silenciosamente e ainda assim, prosseguir na luta pela vida, ainda que deficiente de sua funcionalidade potencial. Tal órgão tem a capacidade de armazenar a porção mais generosa ao que o possui: a vida.

E talvez, por essa relevância, caberíamos refletir na grandiosidade que a vida que ali pode estar contida, fará bem ao que a possuir, bem como ao que a receber. Não no caso de uma doação deste órgão fisicamente, mas sim emocionalmente.

Alcançar os corações hoje é um enorme desafio ante tempos de pequenez de relacionamentos duradouros. E isto não envolve relacionamento sexual ou afetivo entre os gêneros no que tange a casamento ou namoro.

Envolveria mais além, despretensiosamente, com gestos de amizade e humanismo. Pequenas atitudes chegarão aos corações e ali permanecerão. Embora haja uma faca de dois gumes nestes atos, outrora, pois nem sempre o que se chega aos corações sejam atos de bondade, fraternidade ou amor nobre.

Irascivelmente e inconsequentemente tendemos a tocar nos corações e marcar por uma vida inteira, em frações de segundos por atos egoístas e de um orgulho torpe. Nossas palavras entram como um punhal e dá um giro de 360º no interior deste órgão e faz sangrar sem possibilidade de um hemostasia, que é a contenção desse sangramento local.

E o motivo de não raras vezes assim procedermos? Talvez por não se permitir atos empáticos, como colocar-se no lugar do outro, com reflexão prévia de tudo aquilo que não gostaríamos que a nós fosse feito, dito ou sentido.

Porque seria tão difícil assim, alcançar os corações de modo perpétuo? Porque não permitimos que nossos corações também sejam alcançados nobremente?

Talvez por que ainda tendenciosamente nos achamos donos da razão e fatidicamente somos orgulhosos e não dispomos tempo para solidificar as relações. Sim, novamente o tempo aparece como determinante para essa prática.

Para alcançar os corações, ainda necessitaremos de tempo e de modo qualitativo e não quantitativo. A qualidade de nossas relações será sempre mais importante que a quantidade das mesmas. A superficialidade ainda é muito notória na nossa vida e incorremos assim, de não permanecermos na essência estimada, nos corações e tampouco permitirmos que outros permaneçam no nosso próprio também.

De verdade, alcançar os corações e ali permanecer foi e sempre será um desafio. E que essa permanência proporcione boas memórias e não sentimentos maléficos fisiologicamente e emocionalmente ao mesmo.

Por fim, em tempos de guerra por sobrevivência, seríamos mais normais, possivelmente por ousarmos alcançar os corações com nossas palavras, além de atos, pois não é o que se fala, mas como se fala. Ousarmos ainda procurar permanecer no íntimo alheio, sem pretensões egoístas e sobretudo, permitir que outras pessoas em nosso coração permaneçam, ainda que toquem somente no ápice do mesmo.

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