Livros e Resenhas-Malhando o Judas num sábado de aleluia

Sábado de aleluia em muitas tradições populares e até religiosas, contém a prática de “malhar um boneco de pano, maltrapilho ou até bem apresentável”, como o Judas Iscariotes, um dos discípulos traidor que levou Jesus Cristo a morte.

Um tanto comum essa aparente brincadeira que pode nos trazer algumas reflexões frente a quem colocaríamos como Judas a ser apedrejado ou destruído com cabos de madeira ou afins, bem como o que podemos aprender com esse episódio real e histórico registrado.

O contexto de Judas Iscariotes nos revela que ele era um homem de confiança que não se conteve com o que tinha e egoisticamente queria mais e mais na condição de tesoureiro na administração de Cristo enquanto vivo esteve.

Ele sempre achava que poderia ganhar mais e se iludira com as ideias de que Cristo acabaria com a cúpula de líderes que o prenderam sendo inocente que nada fizera de errado, senão crer nos valores e princípios com defesa dos ideais que tinha como missão.

Certa feita num encontro, ele reclamara do desperdício que uma mulher marginalizada na sociedade cometara ao ungir Cristo com bálsamo, um perfume caríssimo que comprara com todas as suas economias como gratidão pela compaixão dele para com seus erros.

Mas o ato de que esse homem é mencionado em um sábado de aleluia como este sendo malhado figuramente como homens e mulheres que  foram indignos ou traidores aos nossos olhos é o que requer destaque em nossa triste realidade.

Colocar alguém na condição de Judas Iscariotes, deixando o mesmo sem direito de defesa frente a uma possível traição ou contrariedade a nossas vontades e opiniões, nos transfere de reris mortais a condição de justo juiz sem sermos, contudo.

Ninguém tem o direito de condenar ou “malhar” o outro por ter errado para conosco ou para com a sociedade ou até nação. Quem, afinal nunca errou, seria digno de atirar a primeira pedra ou destruir simbolicamente com paus e ferros aquele pendurado em postes ou muros.

Essa tradição nos revela tristemente e nos dias atuais, nossa condição humana que nos torna os mais vis algozes aos outros que postulamos nesse título a ser “malhado”, mas, sobretudo, a nós mesmos quando não perdoamos nossas falhas.

Revela-nos a falta de amor, onde simples brincadeira nos diz o quanto rancorosos e raivosos com as ações alheias e desejosos por fazer justiça com nossas próprias mãos nos encontramos. Não lembramos que atos falhos são presentes e passíveis em nossa existência ainda.

Mas, outra lição pode ser extraída desta tradicional prática justiceira ao traidor ou traidora. Quando Judas se aproximou de Cristo para traí-lo com um beijo, pois este era o sinal que acordara com os guardas e oficiais, o traído e inocente o recebera com um terno olhar.

E que olhar! A história diz que a traição foi por trinta moedas! Quanto custa uma vida, ante a quebra de valores e princípios?  Em dias que as coisas são mais importantes que as pessoas, esse episódio nos revela que as atitudes ainda são as mesmas, a despeito do tempo passado.

E finalizo com a dura e árdua dúvida que impera na sociedade moderna: quem será pendurado em postes e muretas com afã desejoso de destruição pelas nossas próprias mãos como se os erros não pudessem ser perdoados de homens mortais  e falhos por homens assim também?

O perdão ainda é o melhor ato a ser praticado em nossas relações a despeito dos erros que as pessoas cometam e nos magoem, pois todos nós erramos em algum momento da nossa história e ninguém está apto a julgar corretamente, uma vez que também poderá vir a estar na condição de traidor das opiniões e gostos alheios.
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