Blog Livros e Resenhas – Nem do seu, tampouco do meu, mas sim, do nosso jeito/Fabi Colimoide

Quando estamos em algum relacionamento, seja de amizade, familiar ou amoroso, tendemos a querer não raras vezes a imposição de nossas vontades, gostos e aptidões pessoais. Esquecemos que o outro também está participativo na relação e precisa ser respeitado e ouvido, sobretudo. Podemos nos recordar das vezes que estivemos como em balanço e na tentativa de equilibrar-se frente ao outro. Parece que se tentamos sozinhos o equilíbrio, a queda será menos remota enquanto quando damos as mãos conseguimos facilmente nos manter firmes sem quedas.

É bem peculiar de nossa natureza humana querer que sejamos ouvidos sempre e a prioridade seja a nossa no que tange a falar. Mas, relacionar-se não seria um misto de emaranhado difícil de desatar alguns nós e criar laços, se cada um se concentrasse na expressão: “nem do seu, tampouco do meu, mas sim, do nosso jeito”. E isto o que quer nos dizer?

Inicialmente é importante reconsiderar a primeira parte da expressão “nem do seu”. O outro vem com uma bagagem própria ao se relacionar conosco, trazendo manias, jeitos e trejeitos, opiniões e valores os quais precisamos conhecer e aprender a conviver com os mesmos. Um relacionamento é enriquecedor quando nos dispomos a conhecer o outro e aceitá-lo. Temos a triste prática de tirar conclusões precipitadas ante as expressões corporais e verbais que presenciamos nas relações. Coração do outro, já diziam os mais antigos em idade, é terra que ninguém vai. Precisamos aprender a aceitar o outro, assim como queremos ser aceitos. Isto é sumariamente questão de respeito.

“Tampouco do meu” é o fel amargoso que não queremos dispor a compreender. Sim! Pois temos imperativamente na grande maioria o orgulho de não cedermos aos nossos caprichos, gostos, vontades e desejos. Tipo assim: “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Sempre tendemos a olhar para nosso umbigo primeiro ao invés de olhar o do outro. Perdemos assim, a oportunidade de aprender algo novo quando cedemos sem reservas e descemos do pedestal dos senhores da razão e domínio de tudo e de todos.

Mas nas relações, a doce sensação de alcance da plenitude do final da expressão é para poucos. “mas sim do nosso jeito”. Isto é cumplicidade, companheirismo, reciprocidade e afirmaria ainda, que é de fato, extensão do sentimento do amor. E por falar em amor, este anda escasso nas relações justamente porque não há corajosos para cederem um pouco que seja ao ponto do outro se sentir mais útil e feliz. Quando em qualquer relação que estejamos, proporcionamos ao outro a extensão da felicidade que a nós é pertencente é um ato de nobreza. Não confundamos em ceder aos nossos valores e princípios, pois estes são inegociáveis e ponto final. Mas digo-vos que dividir a felicidade é enriquecedor para aquele que assim ousa proceder e para o que recebe essa generosa oferta.

Corações mais agradecidos, mas amadurecidos quando se descobre que nada é do nosso jeito e do jeito do outro, mas sim do jeito em comum. Do jeito que fará bem a ambos e não unilateralmente. Desprendidos estaremos do egoísmo que está fincado em nossas entranhas e mais profundas raízes. Libertos de nós mesmos. Aprisionados e sitiados no terreno fértil do puro, profundo e duradouro sentimento que Deus dotou-nos de desenvolver e cultivar que é o amor genuíno e altruísta. E de verdade… não estaremos presos e sim na mais doce liberdade.

Mas, para tal cultivo, faz-se necessário a madura compreensão de que as relações para serem saudáveis e duradouras, além de edificantes, nada será “nem do seu, tampouco do meu, mas sim, do nosso jeito”. Doses de diálogos e disposição de acompanhar o ritmo e compasso mútuo é um exercício de uma vida longa e que valerá a pena. Como se ambos estivessem em equilíbrio sobre o balanço da vida ante o mar ora calmo, ora agitado, mas sempre com o horizonte a vista a ser contemplado… Juntos, de mãos dadas e na busca por evitar as quedas no mar da vida. Dá para prosseguir sim, basta acreditar e, sobretudo, querer, ou melhor, amar.

Texto escrito po: Fabi Colimoide

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