Livros e Resenhas-O intercâmbio com câmbio do belo amor

Ela atravessava o Hyde Park em direção ao conglomerado entre visitantes da cidade de Londres e seus moradores. O concerto de música clássica abrilhantaria sua tarde que era decorada pela fina neve que caia e enaltecia as copas das árvores e gramados muito bem cultivados do parque da cidade. Uma enorme tenda já estabelecida para tais eventos estava com inúmeros ingleses e turistas como ela, que além de aproveitar o intercâmbio de inglês que ousara fazer, apreciava a música de Bach e Mozart no inverno dali.

Lembrou-se de sua família moradora da cidade do Rio de Janeiro, que deixara há dois meses quando partira do Aeroporto Internacional Tom Jobim rumo ao desconhecido. Havia concluído um ano de curso de inglês na capital que estivera em estudos e agora estava com o sonho de praticar e, consequentemente, amadurecer em diversos aspectos. Também estava aberta para conhecer novas pessoas e solidificar amizades recíprocas e maduras.

Ainda estava com profundo desejo de trocar experiências com os ingleses onde estudaria e também trabalharia na casa de um casal de amigos que moravam ao norte da capital e a acolheram tão logo souberam de seu sonho de aperfeiçoar seu inglês. Estava muito feliz.

Ela atravessara a cidade para estar em inúmeros locais culturais e cuja beleza era inesquecível. Tirava muitas fotos e, sobretudo escrevia detalhadamente o que seu par de olhos amendoados contemplava.

O local que mais gostou de estar foi na Tower Bridge, onde sobre o rio Tâmisa, contemplava o dia findando e os barcos enormes a cruzarem as águas calmas. Naquele dia seu coração estava acelerado diante do coordenador do grupo de estudantes. Ele, moreno, traços bem definidos e dono de uma personalidade bem típica de um homem inglês. Entendia vários idiomas e, inclusive o português. Mas, não dava tréguas para os brasileiros ali presentes e graciosamente a ela também não abria exceção.

Mas como era charmoso, ela pensava. Sua atenção era voltada para o ensino, mas era difícil se concentrar somente nisso diante da beldade do porte atlético e viril de um britânico em seus trinta e nove anos. Ela pensava em si, que até arriscaria conhecê-lo melhor, mas era muito reservada e não poderia jamais transparecer-se oferecida, como no seu país se classificavam algumas mulheres. Também com vistas ao futuro, como não ficaria mais do que seis meses intensivos, não queria criar expectativas.

Só que na vida, quem disse que as surpresas não acontecem? Quem disse que não se podem criar expectativas e aventurar-se em um intercâmbio a cambiar o amor?

Afinal, quem tem medo não atravessa nem a rua, ela sempre falava isso aos amigos mais chegados no Brasil. E assim foi que se conheceram numa tarde naquele ponto turístico cobiçado da cidade e cuja beleza era ímpar aos olhos deles. Muito cavalheiro, a levara até a antiga sala de máquinas da ponte e lhe explicava como era no passado ali.

Os olhares se cruzaram e firmemente ele a contemplava. Uma brasileira com cabelos dourados e os lábios mais atraentes que ele vira até então desde que ficara viúvo há um ano. Seu luto fora adormecido pelas aulas no intercâmbio e se resguardara de se envolver com outra mulher. Sentia que precisava de seu tempo.

Só que ela parecia ser diferente das alunas que avassaladoramente lhe importunavam querendo uma chance, um beijo e só. Conversavam muito durante o trajeto de volta até o metrô Tower Hill. Amenidades e trocas de olhares cada vez mais significativos. E como ela lhe olhava nos olhos! – Ele pensava.

Estavam já próximos da entrada principal quando num misto de proteção da multidão que se aproximava devido o fluxo e horário local, ele a acolheu em seus braços. Ela sentiu a proteção de seus braços fortes e torneados e o perfume dele que a faziam ficar mais ainda ruborizada.

Os lábios se encontraram timidamente em meio a grande multidão que cruzavam aquele casal no meio do caminho. Eles, sequer olhavam e ouviam as críticas por estarem no caminho. Parecia que os lábios eram os principais ali e ambas as línguas se procuraram com profundo anseio de saciedade e descoberta.

Nem viram o tempo passar, pois o beijo fora o mais longo, lânguido e desejado ali. Nem perceberam que era dia catorze de fevereiro local e o Valentine Day era a tônica de todos os casais. Ficaram abraçados por longo período antes de embarcarem no metrô.

À porta do apartamento dela, na escadaria, ele antes de partir, tirou da carteira um pequeno pedaço de papel vermelho em dobradura. Ao abri-lo, ela leu a frase: “the exchange of love”.

Sim! Ela refletia antes de dormir naquela noite. Sua presença ali pelos próximos meses envolveriam aventuras, descobertas e a troca do amor mesmo e de fato. Sem receio ou temor, pois o maior risco neste mundo é de viver e o que dizer do amor que pode surgir naturalmente nos corações? Basta apenas aceitar correr o risco das trocas, dos câmbios nos intercâmbios das relações nacionais ou internacionais.

Despertou de suas lembranças com o abraço dele naquela tarde no parque, onde ambos assistiriam o concerto ao som de “Amor Eterno” de Mozart. Um amor iniciante e marcante, que suportaria todas as estações do ano e a distância, pois ambos os corações estavam dispostos a proximidade e maturação necessária e benéfica a ambos.

E uma vez mais os lábios se encontraram e o toque do amor foi o som aos ouvidos e dos corações. Seria eterno enquanto durasse.

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