Livros e Resenhas – Folia das máscaras

O carnaval é a festa popular que atrai milhares de pessoas ao redor do mundo. Encanto para alguns, fuga para outros que nessa ocasião se refugiam no recôndito onde as forças serão renovadas e os laços reafirmados entre familiares ali juntos.
Nas ruas e avenidas há na ocasião enfeites e dezenas ou até milhares de pessoas em movimento de blocos de rua ou trios elétricos, com som estridente e às vezes ensurdecedor para alguns e totalmente envolvente para outros que se tornam foliões e fanfarrões.
Desmedida a atividade de brincadeiras e alegrias com mistura de bebidas, confetes e alguns corações maldosos que aproveitam a ocasião para práticas de violências e brincadeiras de muito mau gosto.
Mas o que é interessante notar é a quantidade de fantasias que surgem a cada ano, com modelos dos mais diversos e algumas vezes associados com acessórios brilhosos e com paetês. As máscaras estão entre os mais utilizados como talvez num misto de esconderijo do “eu”.
O prazer de usar uma máscara parece nos dar poderes fictícios de representação de algum personagem ou revelação de nossas secretas vontades e brincadeiras com o outro sem, contudo ter a revelação real da nossa face e identidade.
Interessante que não é somente no período de carnaval que temos a alegria de usar máscaras. Parece que todos os dias usamos alguma. Em especial quando queremos nos esconder, sem revelação à outrem. E o que precisaríamos esconder?
Talvez nossas vergonhas internas e as que se exteriorizam a ponto de nos causar medo de rejeição por parte de um grupo ou individualmente. Conforme a gente vai tendo mais intimidade com o outro, mais nossa máscara vai caindo sem percebermos.
Parece que ficamos em meio de um bloco de folia sem nossa fantasia maior. Sem aquilo que pensamos ter e na verdade não existe. Pois é fruto de nossa imaginação. O risco de sofrermos uma negativa devido nossa mania, vontade e comportamento aumenta para nosso desespero.
Cada dia tem uma fantasia a ser alicerçada no nosso guarda roupa, só que essa é feita do mais belo material que possa existir: um homem ou uma mulher sem vergonha literalmente. Sem medo de andar pelas avenidas e ruas desnudos de si mesmos e de suas caras máscaras.
Sim, concluo aqui ao salientar que as máscaras custam caro por demais, pois nos afastam da veracidade que a vida necessita e nos dá o vislumbre da mediocridade. Precisamos viver acima dessa mediocridade de nunca revelarmos quem somos na avenida das relações.
Mentimos com gosto e prazer por pular e sorrir estando com a alma totalmente deprimida. A lágrima que verte nos olhos parece ser secada pelo comodismo da necessidade de aceitação do outro para nossa alegria e folia. Um verdadeiro carnaval da vida… Porém fantasiosa e dolorosa.
Uma folia que requer uma vida sem fantasias e máscaras. Uma folia perdurável e sustentável. Uma folia do eu real para o mundo, ainda que totalmente adepto a fantasias e máscaras nas relações do cotidiano. Ousaremos remover nossa máscara?
Livros e Resenhas
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