Blog Livros e Resenhas – E dá pra esquecer mesmo?/Fabi Colimoide

Apaixonar-se é um espetáculo. Mexe com nossos mais íntimos anseios e vontades. Remete-nos a querer ser melhor. É um verdadeiro estímulo de fora para dentro. Mas como nosso cérebro reage ante esse sentimento quando necessário esquecer?
Tudo vai bem até sentirmos na tela da nossa vida o enredo do tipo: ele ou ela não está afim de você. E aí, resta-nos somente escolher prosseguir insistindo com esperança ou deixar que o nosso cérebro esqueça.
Temos uma verdadeira potência dentro da nossa calota craniana e se soubermos usar, benefícios diversos experimentaremos aquém das decepções de não sermos correspondidos. Na verdade, segundo o especialista em neurologia comportamental Antonie Bechara, os mecanismos cerebrais podem nos explicar como nosso cérebro age quando não correspondidos.
Para ele, o tempo nem sempre ajuda, uma vez que as emoções permanecem e em especial, se há insistência para lembrar os bons momentos passados juntos daquele ao qual amamos. Ele afirma que “existe um sistema dedicado do cérebro que liga na nossa memória sensações à determinada emoção. Ela sempre volta, conscientemente ou não”. Enfim, a lembrança perdurará e poderá incomodar no processo de retomar a vida além do sofrimento de um sonoro não às nossas expectativas.
E quando sentimos o frio na barriga ou sensação de coração acelerado, o mesmo especialista explica a ação de dois sistemas cerebrais existentes. O primeiro movido pela amígdala, que é responsável por respostas automáticas, pelas sensações como do coração acelerar ou o frio na barriga supracitado. A pessoa é vista como uma ameaça e nosso corpo reage como um alerta. O outro sistema tem a ver com o córtex pré frontal, quando nos lembramos do amado e pode assim,desencadear a mesma emoção, mesmo que estejamos a grande distância dele ou dela.
E se quisermos superar tais sensações, nosso cérebro entra em conflito, pois de um lado os circuitos cerebrais mantém o amor aceso e bem vívido em nosso íntimo, por outro lado, temos a necessidade de seguir adiante. E nesta batalha, segundo Bechara, ganhará o que for mais forte em nosso cérebro.
Bechara ainda destaca que os efeitos de um “fora” ou “toco”, como alguns dizem a negativa de nossas investidas amorosas, podem nos fazer mais ainda apaixonados, pois, isso ocorre diante do fato de quando nos privamos de algo, nosso corpo sente uma maior necessidade de ter aquilo. Parece que se torna uma obrigação ou código de honra conquistar aquilo que nos colocou em situação de verdadeiro descontrole. As vezes a pessoa fica cega pela própria paixão.
As emoções nos regem em várias etapas da vida, senão em todas. Ora boas, ora ruins, elas vão nos construindo e reconstruindo. Fatalmente poderão nos destruir se não tivermos domínio próprio. Somos racionais, precisamos assim sê-los, mas não em sua totalidade, pois se faz necessário equilíbrio na vida a nós confiada.
Nem sempre, segundo Bechara, racionalizar tudo resolverá os problemas, mas se o coração não ajuda, será racionalizando que podemos, ao menos, nos livrar do problema. Em contraponto, a antropóloga Helen Fischer, reitera que se quisermos esquecer uma pessoa, deveremos tratá-la como o paciente que quer deixar um vício de lado e livrar-se de tudo o que possa fazer com que nos lembremos dele, como nos casos de tratamento para os alcoólatras onde a garrafa de vinho deve estar o mais distante possível.
Robert Sternberg, psicólogo de Oklahoma, fala que o cuidar dos pensamentos, embora difícil seja, faz-se necessário. Afinal, quando uma das partes somente tem interesse de prosseguir numa relação, é sinal que se precisa rever a rota. Como andarão juntos sem comum acordo e vontade? A caminhada deve ser feita juntamente e não um puxando o outro pela mão, enquanto este último faz força contrária. Cuidado com as ilusões projetadas a nós é uma necessidade visando o mais real possível da interpretação do sentimento.
Por fim, a história de que amor é cego, talvez faça sentido mesmo, segundo o psiquiatra Thomas Lewis, da Universidade de São Francisco, onde tal sentimento age como o álcool, fazendo parte de um processo que envolve intoxicação, onde algumas áreas cerebrais, conforme estudos realizados ficam suprimidas, como as responsáveis por julgamentos críticos e por emoções negativas.
Talvez com o “insano” tempo, quem perdidamente apaixonado se encontrar a ponto de não se ver sem esquecer a pessoa quando não correspondido, poderá chegar um dia a conclusão de como “absurdamente pôde sofrer tanto tempo por alguém que não correspondeu às expectativas do amor ofertado”. Para tanto, talvez só baste esperar um pouquinho para deixar de sofrer a tal ponto de não enxergar as demais oportunidades ao redor ou apenas “dar um tempo” e curtir o estado de solteiro (a) para reorganizar a trajetória.
E para isso, o tempo, conforme os antepassados afirmavam, talvez continue sendo o melhor remédio, ainda que nossos mecanismos cerebrais teimem em dizer o contrário. Afinal, a vida é feita de escolhas, como amar e “desamar”. Lembrar e esquecer. Viver e sofrer. Escolhas… Somente escolhas.

Texto escrito por: Fabi Colimoide

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