Blog Livros e Resenhas – Esqueça o que Ele já esqueceu/Fabi Colimoide

Esquecer é algo profundamente difícil a nós seres humanos. Talvez porque se revive o passado com uma intensidade maior do que quando sentimos de tão perto o presente.
Não falo de meras lembranças. Não é disto não. Falo de culpas e medos.
É como uma caminhada onde temos uma bagagem tipo Louis Vuitton bonita por fora, valorosa aos olhos alheios, mas por dentro, pesada e um verdadeiro fardo. Sim, um fardo que agonia a alma. Culpamos-nos por nossas escolhas passadas, por nossos medos presentes e por tudo isso afligir-nos quanto ao futuro.
É semelhante a estarmos com essa mesma bagagem pela estrada, tendo passado uma carona, embarcamos na condução, mas continuamos com a pesada bagagem no colo, sem depositar no chão ou bagageiro.
Por que estou mencionando isso?
Ouvi um palestrante falar da palavra misericórdia em nossas ações e nosso dia a dia. Ele explicava: “Misericórdia é um sentimento de compaixão, despertado pela desgraça ou pela miséria alheia. A expressão misericórdia tem origem latina, é formada pela junção de miserere (ter compaixão), e cordis (coração). “Ter compaixão do coração”, significa ter capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa sente aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém. Ser solidário com as pessoas”.
Santo Agostinho atrela a misericórdia com a ação, pois envolve a mesma para ser um ato de misericórdia. Para religiosos, a misericórdia tem a ver com a natureza de Deus, pois Ele é misericordioso. Concordo com isso mesmo.
Lembro-me assim quando houve na morte de três homens na cruz no Gólgota, uma prece de um deles era que Deus tivesse misericórdia dos que o agrediam e transpassavam a lança entre outras atrocidades. Eles não sentiam necessidade de tal pedido, ao menos aparentemente segundo os relatos.
Isto quer dizer que mesmo que não sintamos necessidade de que Deus tenha misericórdia de nossas ações, escolhas e decisões do passado ou presente, Ele terá, pois é de Sua natureza por nos amar.
Não reconhecemos tantas coisas e quando assim o fazemos, incorremos nas culpas que nos propomos a carregar. Um fardo tão pesado! Não nos perdoamos. Não agimos com misericórdia conosco. Somos os algozes que vociferam a todo tempo que culpados somos pelas nossas consequências vividas então.
Quando achamos que sabedores somos do que fazemos, se permitirmos, ouviremos dAquele que nos ama e nos criou que não sabemos o que estamos fazendo, mas que Ele poderá sempre nos ajudar a aliviar a bagagem, a direcionar o trajeto.
A extensão da misericórdia ao redor é necessária nestes dias onde há agressões demais ao outro, isolamento frenético das pessoas, lutas internas travadas com espadas afiadas e cortantes e um senso do que se tem ser mais importante do que o ser em si.
Essa mesma misericórdia fará muito bem a nós mesmos, quando entendermos que passíveis do erro estamos, mas também somos imensamente compreendidos por Aquele que nos dotou de um coração, uma mente e de condições de viver, sobreviver e se reerguer ante qualquer infortúnio.
Diferentemente das pessoas que nos cercam que sempre terão o dedo em riste pronto a nos apontar nossas falhas. Quando Deus diz que perdoa nossas faltas, Ele lança as mesmas nas maiores profundezas do mar e esquece. Oferta-nos flores que exalam o Seu perdão e amor para perfumar nossa vida.
E nós? Sequer lançamos na margem do mar, quem dirá nas profundezas!
Portanto, um conselho, se é que é possível: esqueçamos o que Ele esqueceu. Permitamos que o recomeço e a Graça Divina nos alcance. Sim, nos alcance. Permitamos-nos sentir o aroma suave que exala da flor concedida por Deus ao nosso frágil jardim do coração. Não insistamos em lembrar daquilo que Ele, Deus, já esqueceu.
Caminharemos mais leves, sem culpas, sem medos. Não quero assim dizer que poderemos fazer o que a nós vier como vontade impulsivamente, mas sejamos mais conscientes de que as ações têm o peso das escolhas boas ou ruins, mas que errar é humano e assim ocorrendo, vale-nos lembrar dos recomeços. Abandonar o passado, com consciência de que as lições serão por vezes dolorosas, mas que necessitam ficar no pretérito ao qual são temporalmente ocorridas.
Por fim, reitero: esqueça o que Ele já esqueceu. Dê uma chance a si de aliviar a bagagem e prosseguir entre acertos e erros, mas com a certeza de que Deus perdoa e esquece. Já não posso dizer o mesmo dos homens e mulheres deste mundo, pois trazem a memória tudo aquilo, inclusive o que foi bom e o que foi ruim. E esta prática, faz mal, como um fel amargoso que teimamos em deixar descer pela nossa garganta até o coração.
Experimente esquecer o que Ele já esqueceu!Acrescente na sua bagagem da vida, as flores que exalam o perdão de Deus a você e o perdão em seu coração ao seu semelhante que é tão débil e falho quanto você e eu. Aliviemos a bagagem desta vida que é tão passageira que não vale a pena perder tempo com tais sentimentos que não edificarão nossa vida, tampouco a dos outros.

Texto escrito por: Fabi Colimoide.

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