Livros e Resenhas-O prazer da espera

A ansiedade era notória na sua mente ante seus últimos preparativos para o enlace matrimonial que ocorreria em dois dias. O casamento no civil ante as testemunhas já ocorrera e agora, a festa e os detalhes finais estavam lhe consumindo as energias. Tinha medo de que algo não desse certo e que perdesse o controle da situação. Sonhara com esse momento há mais de trinta anos.
Quando juvenil já pensava em constituir uma família, mas agora, frente aos seus quarenta e dois anos, sabia que o seu tempo de preparo para dividir um lar com um homem com educação e costumes diferentes, bem como dividir um mesmo leito e teto, a tornavam mais segura para esse momento.
Ainda tinha algo que a preocupava no íntimo e que não dividia com ninguém. Era inexperiente frente às questões sexuais. Ainda era como uma agulha no palheiro, virgem e cuja trajetória não tinha histórico de muitos namoros longos. Nunca experimentara os prazeres que o sexo proporciona como dizem os praticantes que alegam o clímax e êxtase como ímpar e necessário para todo ser humano experimentar.
Quantas vezes ela fora ridicularizada entre a sua própria família e foi motivo de “chacota” e brincadeiras de péssimo gosto pelos amigos que a envergonhavam por ainda ser uma mulher virgem, inexperiente e de poucos namoros.
Sofria no seu íntimo e numa busca frenética esteve nos últimos dezoito meses, namorando como uma adolescente, de modo inconsequente e corajoso. Sim, tivera cinco namoros bem rápidos e que lhe custaram calos no coração. Sua ingenuidade a acalentou nos braços de homens ora bons, ora aproveitadores. O último então a traíra, sob a justificativa de que não namoraria somente de beijinhos e abraços. Ele queria sexo e buscou isso em outras mulheres de modo a se satisfazer. Era uma relação carnal e sem vistas a futuro.
Se resguardar em princípios que acreditava lhe trouxeram rótulos de “carola”, “antiquada”, “quadrada” e muitos outros adjetivos até pejorativos para ela que somente queria manter-se íntegra até o altar. Tinha suas convicções pessoais e cria ser um momento tão especial o ato sexual que se conservara pura para aquele que a amasse e merecesse seu amor.
A constituição de uma família estava em seus sonhos e projetos e ela estava mais amadurecida para que isso ocorresse. Já sabia administrar um lar por conta de suas responsabilidades junto a sua idosa mãe. Praticamente gerenciava a casa sozinha e sabia as responsabilidades que lhe seriam conferidas como esposa.
Seu noivo era um homem com doze anos de diferença e já havia sido casado. Inclusive era avô de uma linda menina. Era-lhe um amigo das redes sociais de salas de bate papo e fora-lhe um grande e presente amigo quando soubera da traição por parte do ex-namorado que julgava amar em longos seis meses de relação.
A experiência de seu atual noivo, a fez sentir-se segura e tendo o aporte que precisava, pois ele despretensiosamente fora amigo e companheiro das suas tristezas e decepções. Ele a admirava desde que iniciaram a amizade virtualmente e depois presencialmente, quando não teve dúvidas que estava diante de uma mulher com beleza e pureza que era raridade nos dias atuais.
A princípio ele custou a entender como uma mulher como ela estava ainda sem experimentar os prazeres da vida e seu lado instintivo o atraia para ela fisicamente. Mas ao conhecê-la melhor, viu o quanto ela era especial e começou a nutrir sentimento além do que o corpo pode proporcionar, mas sentia algo perdurável depois de longos anos de sua viuvez.
Ela entrava na igreja e era acompanhada pelos olhares de dezenas de convidados. Mas seus olhos encontraram os dele que estava absorto no momento mágico de novas núpcias e de um amor que amadurecera em pouco tempo, mas com as certezas de que perduraria por longos dias.
Os anseios pelos momentos futuros e as juras ante o altar de fidelidade, ele já conhecia toda a sequencia, mas era como se fosse a primeira vez, novamente. Sentiu o sabor que o amor proporciona a quem ousa dar-lhe uma nova chance. Ela, incontida no vestido alvo e brilhante com rendas que lhe cobriam a tez morena e hidratada. Por dentro, seu coração parecia saltar do peito em direção ao do amado.
Indescritível fora o momento para ambos. O prazer da espera pelo sim ante os amigos e todo o céu como testemunha estava com o gosto que a vida futura lhes reservaria. As surpresas a ela em sua inexperiência e a ele em sua vivência seriam ímpares aos pares. Seriam indeléveis.
A festa fora uma misto por apreço de todos que por anos duvidavam que ela casaria por ser muito exigente e para aqueles que desesperançavam as novas núpcias de um homem pai de dois filhos e avô, cuja viuvez deixara o vazio no lado direito de uma cama e no lado esquerdo do peito dele.
Recomeços e começos. Nova chance e a chance. Espera para ambos.
Já passavam de meia noite quando eles partiram para uma pousada a beira mar do litoral. A noite seria ali, ante o mar e com um céu estrelado com a lua nova destacando-se. Eles ouviam ao longe a coruja a demarcar sua presença em contraste com o bramido do mar, cujas ondas estavam agitadas.
A penumbra do ambiente proporcionava todas as fantasias possíveis na mente dela, que timidamente se permitia ser conduzida pela experiência do homem que amava e agora pertencia. Sim, seriam ambos uma só carne, com um só objetivo como família. Prometeram diante dos céus a fidelidade e a felicidade batia a porta do peito de ambos.
Aos poucos, o vestido deixara o corpo e descobriam-se ante a nudez. Cada toque era seguido de lânguidos beijos que sobejavam e avivavam as fantasias íntimas de ambos. Queriam ser um.
Ele acompanhava o ritmo dela. O ritmo da descoberta, da busca pelo prazer desconhecido que ele sabia bem proporcionar. E ele a conduziu pelos prazeres que o momento proporcionava. Fazer amor era diferente de sexo casual. Tem um misto sacro onde uma fusão ocorre no clímax de frações de segundos e que conduz a um êxtase sem igual.
Ele vivenciava tal momento longe de busca egoísta de prazer e intentava dar e proporcionar, a sua agora esposa, o prazer que era-lhe necessário a despeito de sua ânsia por alcançar o clímax fisiológico. Ele descobrira-se doador do prazer que egoisticamente por tantas vezes queria para si, mas que agora, via como necessário de proporcionar a amada.
Voluptuosos e intensos momentos tiveram naquela noite, descobrindo-se em cada parte dos corpos nus ante o luar e a brisa suave que adentrava no quarto. Adormeceram já bem tarde, abraçados de conchinha e sentindo o odor inebriante da maresia.
Sentiram os raios do sol a tocar-lhes a face e descobriram-se como dois jovens a brincarem na busca pelo prazer novamente. Somente houve a interrupção para beijos quentes e ávidos. Na mente dele, a satisfação pelo prazer ofertado a amada. Na mente dela, a certeza que valeu cada dia, ano e década da espera pelo momento sagrado que sentira em uma primeira noite de muitas ao lado do seu atual esposo. Viveriam felizes a despeito de todos os desafios que a constituição de uma família acarreta no íntimo de homens e mulheres em tempos atuais.
O amor seria o combustível para ambos maduros e felizes…Eternamente.

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