Você já esteve enfezado? Ou se deparou com alguém assim?

Confesso que dá nervoso ver alguém enfezado, literalmente e não somente no sentido figurado, de encolerizado, raivoso, irascivo, pois quando um não quer automaticamente o outro não brigará. Assim, alguém terá que ceder. Mas quero me ater aqui ao sentido literal que a palavra nos trás.

Enfezado lembra-nos de fezes. Logo, alguém enfezado, está cheio de fezes!Oh que drástico e não agradável ao nosso olfato quando próximos e surpreendidos por flatos (como tecnicamente diz de gases eliminados). Por certo, a distância será a melhor escolha!Mas coitado daquele que se encontrar assim!

Relembrando anatomicamente e fisiologicamente, o acúmulo de fezes trás sérios problemas para as pessoas, tanto sociais, quanto emocionais. Nosso intestino determina preferências e necessidades alimentares e determina nossas emoções e saúde mental inclusive em parceria com o nosso cérebro. É um órgão cientificamente considerado inteligente.

E porque estou escrevendo sobre isso? Por simplesmente crer que precisamos estar completamente bem para poder usufruir de todos os bons momentos e, sobretudo utilizar com sabedoria o corpo que temos para vivermos um pouco mais diante de todos os riscos que estamos suscetíveis, sempre com equilíbrio.

Estudos científicos recentes já destacaram que o nosso intestino age como um segundo cérebro em nosso corpo. Possui quase as mesmas características do nosso cérebro, com mais de cem milhões de células nervosas, com neurônios sensoriais e motores. Conhecido como sistema nervoso entérico, produz substâncias psicoativas que influenciam no humor, como os neurotransmissores dopamina, serotonina (que produz sensação de bem estar e prazer) e 95% deste último é produzido no intestino e também é responsável por vários opióides que modulam a dor. Acaba que se torna responsável por digerir os alimentos, diferentemente de nosso cérebro que digere as emoções, porém, estão interligados nos objetivos propostos dentro da fisiologia.

Enfim, podemos resumir que nosso intestino é capaz, sendo bem tratado, de nos proporcionar plenitude de saúde física e associado ao cérebro, à saúde emocional. Mente e corpo estarão sempre juntos na harmonia proposta por Aquele que nos criou, o próprio Deus.

E assim como devemos cuidar de nossas emoções, faz-nos necessário cuidar de nosso intestino também.

Exercícios físicos regularmente contribuirão para um bom funcionamento intestinal, bem como que selecionemos melhor nossos alimentos que contribuirão para este órgão com mecanismos tão inteligentes.

Não podemos negar que nossa digestão começa na boca e que nós temos uma formação fisiológica herbívora no tubo digestório, desde nossa arcada dentária com mais dentes molares, próprios para trituração dos alimentos, do que os caninos e ainda sendo de formato curvilíneo, com terminações nervosas em todo trajeto e que necessitarão de alimentos que contribuam para que possam ser digeridos lentamente, sem risco de permanecerem no trajeto. Daí a importância de alimentos com fibras, como frutas, verduras e legumes, por exemplo e o bom uso da água diariamente. Alimentos com maior tempo de digestão ficarão maior tempo acumulados como bolo fecal no intestino sem ser logo eliminado e nosso cérebro terá trabalho dobrado de dispensar energia para este processo.

Diferimos dos animais carnívoros, desde a arcada dentária que é mais canina, própria para alimentos que requerem dilaceração/ corte ou poderão ser ingeridos em maiores pedaços, bem como o tubo digestório que é reto e com capacidade de digestão mais rápida, sem tempo maior de armazenamento no mesmo do alimento. Logo, os alimentos de digestão menos lenta são próprios para este órgão fisiologicamente.

Quando permanecemos com alimentos mais tempo no intestino sem sua eliminação, sem prática de atividade física e sem o consumo dos nutrientes que contribuirão para melhor digestão, automaticamente, incorremos no risco de nos encontrarmos enfezados. E aí, certamente não seremos boas companhias a nós mesmos e tampouco ao redor! Todos os dias precisamos eliminar não somente as fezes, mas tudo aquilo que não nos será contribuinte, sejam pensamentos e palavras também.

Cuidar daquilo que temos para envelhecermos com mais longevidade e qualidade, ainda será a melhor opção a ser escolhida ante este frenético mundo de impaciência para comer. Escolher o que comer, bem como escolher como viver, são necessidades.

A vida ainda continua sendo o melhor bem que possuímos e administrá-la fisicamente e emocionalmente é desafiador, mas completamente necessário.

Entre escolher viver alegre e feliz ou enfezado e ranzinza, que escolhamos a primeira opção. E por falar em opção, que as nossas, à frente de uma mesa, por exemplo, sejam com vistas a termos bons momentos de vida com qualidade e agregando sempre as pessoas ao nosso redor. Nossas emoções não podem nos dominar, ao contrário,precisamos saber como vivenciá-las.

É preciso saber viver e viver bem… Sempre! Usemos esse órgão considerado inteligente a nosso favor e não mais incorramos no sério risco de nos tornarmos pessoas enfezadas, literalmente e no figurado que a palavra nos permite.

Texto escrito por: Fabiana Colimoide

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