Actualmente, assistimos a uma torrente de produção de filmes e séries de TV à escala global. A produção é tão massiva que nunca antes ocorreu um fenómeno semelhante. Nesse sentido e, numa altura em que o cinema português contemporâneo é reconhecido além-mar, realiza-se entre os dias 12 e 15 de Outubro, em Cascais, o 1º Encontro de Escrita para Televisão e Cinema, um evento que recebeu o nome de A Quatro Mãos. Uma das suas principais características é o facto de se focar naqueles que querem escrever séries ou filmes em português. Quanto à sua organização, ela é da responsabilidade da Academia Portuguesa de Cinema, em conjunto com entidades como a Câmara Municipal de Cascais e diversos parceiros.

É realmente notável, a quantidade de prémios atribuídos a alguns dos filmes que por cá se vão realizando, até porque 2017 ainda vai a pouco mais da sua metade. Um dos formatos mais populares que, hoje em dia, prende a atenção de milhões de pessoas, de todas as idades, ao pequeno ecrã são, inevitavelmente, as séries de TV.

É, deveras, importante mencionar que muito deste contributo é dado por empresas como a Netflix, Amazon, HBO e a BBC, entre muitos outros.
Para exemplificar, cito algumas das séries mais vistas: Game Of Thrones, War and Peace, Thirteen Reasons Why, The 100 e Outlander, todas elas inspiradas em livros, amplificam a relação entre a Literatura e o Cinema.

Relativamente ao nosso país, deixo alguns exemplos do que, recentemente, tem sido premiado quando nos referimos ao cinema contemporâneo português:
A curta-metragem “Estilhaços”, de José Miguel Ribeiro, distinguida com o prémio de Melhor Curta-Metragem no Festival de Cinema de Animação de Bruxelas, “Cidade Pequena”, de Diogo Costa Amarante, produção nacional premiada no Festival de Cinema de Berlim, com o Urso de Ouro na categoria de Curta-Metragem ou “A Fábrica do Nada” de Pedro Pinho, presente no Festival de Cinema de Cannes, no evento Quinzena dos Realizadores e galardoada com o Prémio FIPRESCI da Crítica Internacional são apenas alguns dos exemplos que demonstram, claramente, o crescente interesse e o reconhecimento da qualidade das produções nacionais.

Foi a pensar em quem, diariamente, cria, escreve, adapta para os ecrãs, em quem respira este modo de vida, praticamente, durante as 24 horas do seu dia que a Academia Portuguesa de Cinema se mobilizou para criar este evento.
Já estão confirmados vários convidados de vulto do panorama cinematográfico nacional, mas não só. Nomes como: Rui Vilhena, guionista de televisão que assinou as novelas Ninguém como Tu, Tempo de Viver, Olhos nos Olhos e Sedução, adaptou o romance de Miguel Sousa Tavares, “Equador” para o formato de novela; Paulo Morelli, guionista e realizador brasileiro que dirigiu, entre outros trabalhos, a série “Cidade dos Homens” numa parceria entre a produtora O2 Filmes, da qual é cofundador, e a Rede Globo; Adriana Falcão, premiada escritora brasileira de peças de teatro, também é conhecida pelo talento dos seus guiões para programas de televisão como A Comédia da Vida Privada, A Grande Família, As Brasileiras, Louco por Elas, e Mister Brau, todos exibidos pela Rede Globo vão ministrar diversas palestras.

Haverá, também, sessões de Perguntas e Respostas, Workshops e, ainda, masterclasses com figuras como: Valentín Fernández, guionista e autor do livro “El Cine en Definiciones”, conta já com mais de 25 anos de carreira nesta indústria. Na década de 1990, foi um dos pioneiros na área de consultoria de guiões, uma prática que, à época, era algo completamente inovador. Possui o seu nome ligado a vários filmes, muitos até de realizadores consagrados, onde assumiu esse papel de consultor. De entre essa lista, destaca-se, nomeadamente, El Lince Perdido (Prémio Goya 2009 para Melhor Filme de Animação). Paralelamente, dá aulas sobre guionismo em várias universidades e escolas internacionais de cinema e televisão.

Outro dos oradores será James Bonnet, professor e consultor de guionismo internacionalmente reconhecido, tendo já mais de 40 anos de carreira. Embora tenha começado como actor e, até tenha obtido um grande sucesso Sunrise at Campoello, espectáculo de sucesso da Broadway e vencedor de Prémios Tony, interpretando o papel de James Roosevelt.
Contudo, foi aos 23 anos que Bonnet conseguiu o seu primeiro trabalho como guionista ao escrever para a série de televisão It’s a Man’s World. Adicionalmente, escreveu o livro Stealing Fire from the Gods, The Complete Guide to Story for Writers and Filmmakers, onde expõe as suas ideias inovadoras sobre a narrativa, as quais têm inspirado muitos escritores de vários meios.

Este evento, conta com a particularidade de percorrer vários locais, da turística vila de Cascais e os ingressos podem ser adquiridos ao preço inicial de 400 euros (aproximadamente 1509 reais).
No entanto, todos aqueles que os comprarem a partir de 31 de Agosto, fiquem atentos, pois o valor dos mesmos subirá progressivamente.

Mais informo, em jeito de conclusão, que as escolas e estudantes têm a oportunidade de poder adquirir os ingressos com o preço reduzido de 250 euros (aproximadamente 1509 reais).
O programa das iniciativas pode ser consultado aqui:
http://aquatromaos.pt/…/wp-co…/uploads/2017/08/programao.pdf

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