Livros e Resenhas-Concebido sob dores

A gestação acompanha momentos singulares a genitora. As transformações fisiológicas marcam a vida daquela que carrega no ventre um embrião e por fim um recém-nato após 38 a 42 semanas, salvo intercorrências.

O momento do parto é aquele que compreende o afeto e a ternura esperada e imaginada entre mãe e filho (a). Até então, o relacionamento era via placentário a nutrição para o mais novo ser vivente e as carícias eram sobre a barriga com a elasticidade da fase vivida e pelas conversas e gracejos entre os pais e o filho.

Mas ainda no momento do parto as memórias serão fixadas e lembradas eternamente, sejam pelas dores da concepção quando parto normal ou ainda que cesárea com dores nas suturas feitas pelos obstetras. E somente quem já concebeu sabe bem a dor que sente.

Um pequeno bebê recebeu um nome significativo de uma triste lembrança das dores no momento da sua expulsão do útero maternal. Jabez era chamado assim por sua mãe dizer que com dores o havia dado a luz.

Triste enredo para ele ao vir ao mundo, onde carregaria seu nome como memória do sofrimento maternal e indesejável, afinal, quem anseia sentir dores para guardar de lembrança de alguma forma?

Os nomes no passado eram firmados com base nos significados mais profundos para aquele que o fornecia e, sobretudo para aquele que o carregaria. Tornar-se-ia um peso ou uma glória como lembrança eterna. Era a marca registrada.

Com ele, seu nome seria sinônimo de dores e conseguinte tristeza por ter nascido. Talvez a rejeição pudesse fazer parte da vida desse menino outrora homem agora e determinante seria a sua postura ante de onde viera e para onde queria chegar.

O relato vai mais a fundo quando diz que ele foi mais ilustre do que seus irmãos ao invocar o Deus de seu povo de Israel, ainda que totalmente desfavorável estivesse perante os demais. Ele teve ousadia de tentar mudar sua história sem mudar sua origem.

Não é que fizeram conosco, mas o que fazemos com o que fizeram a nós que mudará o rumo de nossa vida e talvez por completo dali em diante. Primeiro que ele ousou fazer uma prece ao Deus que seus pais acreditavam.

Em sua atitude houve ousadia associada à nobreza, coragem e luta contra o destino traçado nas letras de seu nome. Ele reverteu a sua história de perdedor, para vencedor a despeito de quaisquer circunstâncias externas e alheias a sua vontade.

Com simplicidade ele pediu que Deus o abençoasse de verdade, sem rodeios e que ampliasse seu território com uma visão além. Pediu que a Mão desse mesmo Deus estivesse com ele o guardando do mal e livrando-o de causar mal aos demais.

E este último refere-se a relacionamentos ao redor, onde ele queria ser uma bênção ao redor, ainda que seu nome dissesse o contrário. Sim, ele desejava ser contribuinte aos outros sem causar as dores que carregava na sua identidade registrada nos cartórios da vida.

Ele confiou no que ouvira de Deus e associou a coragem na luta por virar o jogo da sua vida condicionada num primeiro momento aos olhos humanos, a permanecer sendo lembrado pelas dores pelas quais sua mãe o concebera. Um misto de rejeição inconsciente talvez.

Hoje ainda dezenas de meninos e meninas ainda sofrem a rejeição quando nascidos sob dores, não somente fisiológicas onde é necessário anestesia ou outro mecanismo para acelerar o parto sem tantas dores. Mas sofrem aas dores emocionais e perduráveis.

Sofrem uma rejeição e carregam nas marcas da alma a ausência de uma vida digna de boas lembranças e boas relações com seus genitores e ao redor. Nossa história não poderá ser esquecida, tampouco quem é e de onde viemos e quem são nossos pais.

Mas é certo que podemos ousar mudar o rumo de nossa história daqui para frente, bastando apenas lutar para vencer dignamente e trazendo a memória o que dará esperança de novidade de vida. Sim. Podemos escolher, como Jabez quem queremos ser a despeito do nosso passado.

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