Pertence aos distraídos – Livro e Resenhas

A distração não é um privilégio de poucos. Mas são poucos os que desfrutam dos benefícios de em algum momento da vida, se encontrar distraído e não em distração ociosa. Muitas pessoas podem ter dificuldade de concentração e serem levadas por situações, pessoas ou momentos que a desviarão do foco inicial.

Estar sempre atento poderá ser um pouco difícil para uma mente extremamente acelerada e ocupada com inúmeras coisas. É até contraditório, uma vez que se a pessoa fica muito ocupada, por certo é esperado mais atenção. Não é raro se ouvir que conseguimos fazer várias coisas ao mesmo tempo, contudo, creio que algo ficará a desejar.

Ser distraído poderá ter suas vantagens. Em especial no campo afetivo. Mas, calma!Não entendamos que esquecer datas importantes ou as pessoas, nomes, é algo benéfico, pelo contrário. Isto é um hábito que só associa a desavenças entre os pares, podendo até ocasionar infindáveis discussões.

Mas, no amor, os distraídos saem na frente dos mais atentos. Como assim? Ora, o amor chega naturalmente, despretensioso e surpreendente aos distraídos e não aos com uma atenção tão redobrada, como com verdadeiros radares e sinalizadores da solidão que requer ser suprimida de modo ávido e afoito.

E parece que é assim na prática mesmo, pois quando menos se espera, acontece! E nos encontramos surpreendidos pelo sentimento que nos faz sentirmos uma explosão no peito acabrunhado e cheio de vontade de amar e ser amado. De um jeito diferente e único, porém, próprio de ser de cada um bem disposto a sentir tal sentimento.

Isto não ocorre com tamanha ênfase quando queremos muito amar e sobretudo,ser amados.Parece que agindo assim, mendigamos o amor. E desde quando o amor precisa e deve ser assim solicitado? O pior sentimento é o implorado. Ironicamente imploramos por amor, mas não sabemos primariamente amar-nos com uma demasia necessária.

Como daremos aquilo que não possuímos? Só quando nosso cântaro estiver cheio poderemos compartilhar algo com outrem. De que adiantará correr freneticamente e acabar na linha de chegada só? Sozinho em si mesmo devido à busca as cegas e o vazio do não encontro saudável, da troca e da reciprocidade tão prazerosa que podemos sentir.

Mas veja lá, não incorramos no pensamento de que sempre será assim. Contudo, não podemos afirmar que tem sido tão diferente em nossos dias atuais. As carências têm sido maiores do que as plenitudes internas. Ninguém parece querer ficar só e até aí, tudo bem, uma vez que não nascemos mesmo para sozinhos ficarmos sempre.

Os relacionamentos são saudáveis e necessários para a mente e o corpo, uma vez que não nascemos para o caminho da solidão, embora, muitos o trilham sem problemas. A grande luta consiste quando intentamos de todas as formas ter alguém ao nosso lado. Ter por ter somente? Algumas investidas são absurdas e as cegas literalmente com paixão e prisão a si.

O amor é amadurecido e encontrado com o tempo, no momento em que estamos distraídos na grande maioria das vezes. Volto a dizer: ele surpreende de modo gostoso!E por falar em tempo, não adianta, pois ele é cruel no que se refere a nossa condição, inclusive para experimentar o amor. Tudo, absolutamente tudo, passa pelo crivo do tempo.

Para quem é distraído, o tempo não é como uma forca. Ele é visto como um aliado, que dá liberdade para a concretização dos fatos e atos que solidificam nos corações a vontade de estar e permanecer sem reservas. E assim, ser distraído, é uma condição onde o amor acontece, quando menos esperado for.

Permitamos-nos essa distração saudável, não ao ponto de nada ser feito para abreviar o amor, mas, sobretudo, que cesse a cegueira de uma busca egoísta para não se encontrar sozinho. As companhias serão mais satisfatórias no ensejo que a boa distração proporciona. Permitamos-nos assim, ser surpreendido pelo amor ao invés de ficar em condição de caçador em alerta.

Às vezes, as oportunidades estão ao nosso redor e não percebemos por estarmos tão atentos e com expectativas exacerbadas. Sem uma visão além. Com foco no que é externo e não interno. Sim, talvez seja necessário revisar as nossas prioridades. Ponderar o papel do tempo em nosso coração e dar uma chance para não buscar, mas para ser encontrado.

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