Livros e Resenhas-Quando andar descalço será menos doloroso aos pés

Em algum momento de nossa vida, vasculhamos nossa sapateira ou closet em busca daquele sapato que cai tão bem aos pés. Causa um realce belo aos nossos olhos, combina com nossa roupa, e em raras vezes, a busca por tal sapato pode representar nossa pouca opção de calçados naquele momento. Tem a ver mesmo com uma vontade pessoal.

Semelhantemente, nos encontramos querendo muito um determinado calçado, tipo um “peep toe”, que na hora da compra ignoramos o “apertinho” sentido ao colocarmos nos pés e o admirarmos frente àqueles grandes espelhos, sem mencionar os comentários do(a) vendedor(a) que diz que ficaram lindos nos pés, e que caíram como uma luva aos mesmos. Nessas horas, levadas pela emoção, compramos. E ao chegarmos em nossa casa, conforme vamos usando, percebemos que não servia tão bem e que as bolhas, inevitavelmente, aparecerão.

Sofrimento, curativo, calosidade e descarte por fim. Talvez um ciclo assim ocorra não em todas as etapas mencionadas, mas, em grande parte, assim poderá nos ocorrer. Primeiro, calçamos o par de calçados na ilusão da beleza ou do preço que ele representa a nós. Conseguinte, conforme vamos usando, os incômodos aparecem e causam algumas feridas que até sangram. Quem nunca teve que usar um band-aid na região do calcanhar, ou entre os dedos alguma gaze devido as bolhas?

Esse processo é uma defesa do próprio corpo, que detecta mais coerentemente que não dá pra usar algo que não cabe. Simples assim! Estourar as bolhas não é o aconselhável, pois o acúmulo do líquido dentro da película na nossa pele é a defesa do organismo, e romper a bolha significará risco iminente de possível infecção local. A troca do calçado e andar descalços serão os remédios necessários associado ao tempo.

Por fim, depois das bolhas, tratadas, poderão surgir os calos, pois após serem novidades aos pés, os calçados serão adaptados, mas causarão os possíveis calos. Mas, em todas as etapas, andar descalços será necessário em algum momento, e reconhecer essa necessidade é um ato até corajoso, pois envolve abrir mão de um belo par de calçados que queremos tanto ainda usar, gostamos tanto da cor, ou, mesmo por questões de economia, pensamos em não desfazermos dos mesmos.

Só que o barato sai caro, já diziam os mais antigos. Associo essa experiência, que acomete homens e mulheres em algum momento, a nossas relações com o outro e conosco mesmos.

Por diversas vezes agimos assim: insistimos tanto em algo que já percebemos que não dá mais, porém, acomodamos-nos com coisas ou pessoas que não fazem parte de nossa vida há tempos e tempos.

Assim como nos calçados que não servem mais, às vezes é necessário deixar os pés descalços para cicatrizarem as feridas outrora ocorridas. Semelhantemente, também precisamos deixar nosso coração livre de tudo aquilo que nos aprisiona e nos remete a andar para trás, e não nos impulsiona a avançar.

Não podemos crer que somente um par de calçados será o melhor a nós, ainda que bonito, barato ou tão almejado em nosso histórico. Não! Temos que olhar melhor nossa sapateira de opções. Existirão os calçados desgastados, os lustrosos, os simples e valiosos chinelos tipo “rasteirinhas”, assim como teremos a opção de pisar com os pés diretamente no chão – chão batido ou já com algum tipo de cobertura (cerâmica, mármore, madeira, etc.).

Pisar descalços, caminhar assim será o melhor remédio para a maturidade a nós ofertada. Os pés machucados cicatrizarão, podendo até criar calos mesmo, mas crescerão. E esse crescer que me refiro, associo a nosso coração na capacidade de compreensão do que nos faz bem. Mas temos que nos ater ao cuidado de criarmos calos ante o outrem em algumas situações, o que fará bem vivermos. Os calos representarão as nossas experiências e a maturação das vivências. Mas não podemos negar que tem momentos sim, que andar descalço será menos doloroso aos pés. Deixe-os livres, e assim virá a compreensão de que precisamos mesmo é esquecer o que queremos muito, e ousar optar pelo que é necessário a nós.

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