Numa pequena praça de um vilarejo regional e destacado na história da cidade, havia uma estátua de uma menininha estudantil nos seus idos anos juvenis. Havia uma placa ali dizendo os feitos dela enquanto viva e sua relevância naquele lugar antes de falecer.

 

Na mesma praça moravam algumas famílias desabrigadas e dentre estas, também uma das famílias tinha uma juvenil maltrapilha, pés desnudos, tez marcada por sujidade e ausência do saber devido vissitudes do seu amado pai que hoje estava em tais condições. Órfã de mãe e filha única adorava seu pai que a afagava todos os dias e ainda que amargurado por sua vida miserável naquela praça sob marquises e pedinte de favores. Ele queria a mudança para sua pequena. Ela precisava mudar de vida e por ela, estava disposto a qualquer coisa. Sempre a incentivava a pequenas leituras de qualquer coisa e palavras de ânimo eram-lhe frequentemente compartilhadas.

 

A menina brincava ao redor enquanto o pai fazia malabarismos no sinaleiro próximo e assim conseguia uns trocados que lhe garantiam momentaneamente o alimento. Era um dia por vez vivido sob o cuidado de Deus.

 

Certo dia, ela brincando em meio aos pombos que ali pairavam, observou aquela estátua na praça. Viu que era uma menina também! Observou suas vestes, seu rostinho reluzente e que carregava livros no seu colo!

 

Radiante voltara ao pai e alegre falava-lhe do que havia contemplado.

E assim, a cada dia seguinte, ela voltava à frente da estátua e a contemplava docemente. Mas voltava ao pai querido a cada nova contemplação com alguma mudança. Primeiro seus pés não estavam mais desnudos. Seu único sapatinho estava cobrindo-os. Suas roupinhas eram trocadas agora e não mais usava vestes tão sujas. Pois pedia ao pai que estas poucas fossem lavadas e trocadas sempre. Seu rostinho e mãos eram sempre e cuidadosamente mantidos lavados com água da fonte ou das doações ao redor.

 

A cada novo dia de contemplação da juvenil da estátua, uma mudança era-lhe ocasionada. A menina também quis livros… Quis ler…enfim, quis crescer, mudar e expandir-se!

 

Tudo ocorrido por um simples ato de contemplação.

 

O coração de seu pai jazia em felicidade ante a pequena em sua doçura e pueril atitude. Ainda existia esperança, pensava ele.

 

Quinze anos se passaram. O pai havia na ocasião conseguido um emprego e um lugar para morar com a pequena. Esta ganhara oportunidade de estudar na única escola local e hoje é uma das professoras. Escreve para o jornal da sua cidade e compartilha de cartas a todos aqueles que vivem ali. Ela transmite-lhes a vida adquirida pela contemplação vivida quando juvenil. Ela acreditava nas transformações do ser humano a despeito do meio onde estão. Ela era prova real do que pode ocorrer. Seu pai, com alegria sorri na velhice… Havia alcançado seus objetivos: sua filha havia sido transformada e ele também.

 

Contemplação. Ato tão singelo de olhar, admirar, meditar e observar.

Gosto de me remeter a contemplação mencionada biblicamente. Em não raras ocasiões, Deus fala sobre contemplação. Grandes homens contemplaram e o próprio Deus contempla a terra e inclusive os maus, além dos bons. Ou seja, Ele tudo vê.

 

Através da contemplação somos transformados.
E a grande pergunta é: O que temos contemplado? No que temos dispensado nosso precioso tempo a contemplar? O que edifica ou o contrário?
Não temos muito tempo nesta vida, aliás, sequer sabemos quanto tempo nos resta, mas o que temos feito com tudo aquilo que ante nossos olhos tem sido deposto, fará diferença, certamente em nossa trajetória.

 

Contemplemos hoje o que há de nos edificar. Permitamos as transformações ocorrerem. De dentro para fora, do Alto para baixo e de nós para o mundo ao redor. Verdadeiramente pela contemplação seremos transformados e quando assim ocorrer, será quase que impossível não tocarmos nas vidas alheias. Transformamos vidas através de nossa vida.

Escrito por: Fabiana Colimoide

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