Blog Livros e Resenhas – Delírios de Consumo/Fabi Colimoide

Consumismo segundo um simples dicionário diz ser ato, efeito, fato ou prática de consumir (‘comprar em demasia’) e ainda um consumo ilimitado de bens duráveis, especialmente artigos supérfluos.

Na verdade, vivemos sazonalmente em consumo. As festividades de final de ano, acesso ao 13º salário e as infindas e aparentes promoções parecem nos inebriar a despeito das dificuldades financeiras que incorremos em vivenciar.

 

Muitas faturas de cartão e cheque especial estão tirando o sono de muitas pessoas que por atos de impulsividade podem ter comprometido em demasia a renda mensal.

Orçamento é um quesito para ser repensado nestes dias de tantas promoções. Na verdade seria de bom tom repensar nas reais necessidades, nas vontades e nas urgentes vaidades.

 

E o que ocorre em nosso inconsciente em se tratando de consumo? Bem, nosso cérebro é uma verdadeira riqueza de possibilidades e tem muito a nos ensinar. Dividido em quatro lobos e o que é responsável por nossas decisões e escolhas é localizado na região frontal.

 

É a maior parte que ocupa a calota craniana e difere nos humanos da sua extensão, onde tem de 33% a 38% do cérebro presente no lobo frontal, enquanto os gatos têm 3,5%, os cães possuem 7% e conseguinte os chimpanzés têm 17% de tamanho no lobo frontal.

 

Somos dentre estes os únicos racionais, com capacidade de escolher sensatamente e agir coerentemente, diferentemente dos animais que agem por instintos dentro de sua natureza própria. E tal capacidade de escolha, tem sua base e origem nessa área de nosso cérebro.

 

Daí a necessidade de cuidar tão bem de nosso cérebro para que tenhamos capacidade de saber discernir bem nas horas de inúmeras propostas de um consumo desenfreado a ponto de nos fazer delirar. Sim, vivenciar delírios de consumo literalmente.

 

O grande problema se concentra em algumas ações que nós, seres ditos racionais, tomamos frente a ameaças do outro no que tange a status social, como por exemplo, querer ter algo melhor que o outro e buscar a qualquer custo adquirir algo, ainda que custem grandes sacrifícios posteriores de nossas reais necessidades.

O grau de importância também a nós se confunde ante aquilo que pensamos ser necessário e não vaidade. Nem sempre sabemos planejar consumir. Não queremos assim agir. Talvez, incorramos no risco de não pensar no amanhã. Bastando apenas o hoje e nossas vontades. E estaríamos sucumbindo as nossas vontades que são afloradas pelo que nosso inconsciente absorve ante os estímulos externos?

 

Resistir ao que queremos, mas não podemos naquele momento, é um exercício doloroso e caloso ao nosso orgulho e ego por ter e possuir. Insensatamente poderemos estar invertendo os valores do ser pelo ter. Temos as pessoas e coisas como descartáveis e somos como marionetes ante as grandes reproduções aos nossos olhos midiáticas e profundamente incentivadoras ao consumo.

 

Alguns estudos sugerem que no caso de nós, humanos, em não raras ocasiões somos regidos pelos hormônios. E não duvidemos disso não. Mas a grande tacada é saber não ser escravo dos mesmos hormônios. Ao contrário, tirar proveito destes que nos regem orquestralmente.

 

A busca por prazer, induz a atos de impulsividade e até chegando ao descontrole. Assim como a compra aumenta a quantidade de dopamina no cérebro ao comprarmos algo tão desejado e esse desejo se prolonga fazendo-nos comprar em demasia.

 

Nas mulheres, no período pré-menstrual, há liberação de hormônios que inibem o córtex orbito frontal, que é responsável por causar barreira para as decisões impensadas, sendo assim, um consumo maior nesta fase devido aumento da ansiedade e conseguinte impulso na hora de comprar. E ainda em período de ovulação, devido liberação do estradiol, outro hormônio fabricado nos ovários, a tornam mais sedutora e, digamos, mais aberta para sedução e com desejo, ainda que imperceptível de ser mais atraente e apta para as relações sexuais instintivamente, o que a faz sentir mais vontade de comprar entre lingeries e maquiagens visando se produzir mais e melhor.

 

Já o hormônio da testosterona nos homens age mais intensamente depois que se tornam pais, onde o consumo torna-se voltado para as necessidades da sua prole e não no ímpeto de um carro possante para seu ego ser amaciado aos demais. Seu instinto paternal age em prol daqueles que lhe são filhos.

 

Mas voltando ao nosso cérebro, os neurônios espelhos nos fazem imitar o outro, sendo assim, as vendedoras bonitas, bem vestidas e atraentes são exemplos de incentivos para compras que nosso cérebro irá querer copiar. E isto, não é pertinente somente a esse exemplo, uma vez que ao vermos amigos ou pessoas mais chegadas com alguma ação ou algo do qual nos impulsionará a agir semelhantemente, por certo, será por ação dos nossos neurônios espelhos. Incorremos nos erro de como o velho ditado diz: sermos como macaco de imitação e não aplicarmos bom uso de nossos neurônios quando não nos atentarmos para sua ação e benefícios na nossa vida. Precisamos nos conhecer mais e melhor.

 

Enfim, podemos sim deixar de consumir desenfreadamente e de modo escravocrata ditado pela mídia ou sociedade ao redor. Podemos ainda escolher livremente, ainda que a química cerebral possa nos instigar a agir irracionalmente em alguns momentos. Podemos sim, sair dos delírios de consumo e caminhar no caminho onde ser é, sobretudo muito mais importante do que ter e ainda que queira se ter algo, não será sacrificando o necessário pelo que julgamos ser importante, mas que na verdade, poderá estar sendo apenas parte de nossa grande lista de vaidade. Vaidade de consumo. Não precisamos nos encontrar escravos, pois a liberdade de escolha é nossa por exclusivo direito e dever. Seria muito bom que aprendêssemos a viver contente com o que se tem em toda e qualquer situação.

Texto escrito por: Fabi Colimoide.

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