Nos idos dos anos noventa, conheci uma mulher nos seus quarenta e seis anos. Havia desenvolvido a maternidade bem tarde, com seus trinta e nove anos. Seu esposo, dez anos mais velho que ela, fora um precursor da grande mulher que hoje ela era.

 

Dedicado, companheiro, auxiliador nas atividades de um lar e na paternidade adquirida, adjetivos não lhe economizava aquela apaixonada esposa.

 

Algo que ela transpareceu ao conversarmos era o fato de que ele tivera muita paciência e tolerância atípica para que ela se construísse na esposa que estava a me falar. Olhos marejados de reconhecimento pelo grande homem que a aceitou, em sua aparente “maturidade” de mulher esperada dentro da sociedade, e ousou “construir” a sua auxiliadora idônea.

 

Fragilizada pela vida sofrida, escondida em seu mundo inerte e desesperançada, era assim que se encontrava há uns dez anos atrás ao conhecê-lo.

 

“Lorão”, como carinhosamente o tratava, ousou lapidar a pedra bruta, sofrida, inexperiente, até se tornar o raro diamante que não somente lhe dividia um leito a cada noite, como também, era a sua fugaz amante e mãe dia após dia da herança dada pelo Senhor.

 

Interessante notar essa questão da lapidação ocorrida. Quanto mais idade vai se adquirindo, mais exigência se faz. Não queremos algo a ser construído e sim já pronto, sem problema ou tanto trabalho aqui ou acolá.

 

Nem todos passaram por experiências de enlevo da maturidade que a idade deveria alicerçar. A sociedade tem um padrão moldado e nós, em grande maioria também. Ainda mais se trilhamos caminhos dolorosos em nosso passado. Talvez por medo de “perder tempo”? De ter que passar por tudo “novamente”? Isto em ambos os sexos. A impressão que tenho é que não queremos construir nada, queremos “laje pré-moldada”, sabe?

 

Quem quer acompanhar os passos daquele ou daquela que sofreram no passado e tem reservas ainda no íntimo? Quem quer dar uma chance para si mesmo de ser construído, se tornando vulnerável ao ser auxiliado?

 

Poucos… Os anos pesam e ponderamos por demais da conta, ao ponto de incorrermos de perder a pedra hoje, bruta, mas que amanhã, poderá ser um diamante raro… Raríssimo. Isto é questão de tempo e envolve querer construir… Porém juntos.

 

Nunca a caminhada foi prometida com facilidade e talvez por isso Deus tenha afirmado através de Salomão que “é melhor serem dois, do que um”. Vi naquele simples lar sentimentos de um caminho percorrido lado a lado, sem pressa, apenas querendo o objetivo final da construção alheia e conseguinte a de si próprio.

 

Para ela, me disse, isso é também amor.

 

Escrito por: Fabiana Colimoide

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