Graciosamente observava no horizonte ante o nublado e frio domingo nesta grande metrópole quando surgiram duas borboletas na ponta da janela que deixara com os vidros abertos.

 

Uma azulada tipo turquesa,movimentava suas pequeninas asas em um pouso suave na madeira. A outra, de uma coloração vermelha, ainda com maestria brincava no ar antes de se unir a sua companheira daquele instante.

 

Ambas, leves, delicadas e contribuintes da beleza que pude perceber além do tempo feio da janela para fora.

 

Ficaram alguns breves minutinhos em dupla sintonia cativando meu olhar.

 

Alçaram vôo novamente, indo possivelmente para outra janela que estivesse com os vidros abertos. Eu fui até a borda da janela. Não as vi mais, porém, senti na face uma brisa gélida, que me fez tremer, porém, no fundo se tornou agradável.

 

Reflexiva pude extrair alguns ensinamentos com esse momentâneo espetáculo da natureza.

 

Todos os dias temos uma janela para abrir. Sim, pois temos a janela, mas nem sempre temos a ação de abrir os seus vidros, vitrô ou portinholas improvisadas.

 

Nossos olhos vêem pelo vidro e não além do vidro. Olhar além da janela aberta é necessário, pois sempre algo novo, diferente de nossos padrões e crenças, poderemos aprender e assim, respeitar.

 

As borboletas na sua janela, na minha, poderemos pensar nas oportunidades que chegam  e se vão em vôos repentinos ou graciosamente anunciando a sua partida. Dependerá em todas as possíveis situações, de como temos nos comportado.

 

Teríamos alguma oportunidade à vista e não aproveitado?

 

Estaríamos ainda com os vidros fechados, embora olhando o horizonte, contudo sem poder sentir o gosto da brisa suave em nosso rosto e a balançar nossos cabelos?

 

E por fim: se borboletas estiverem na janela, apenas a inércia da contemplação do espetáculo seria nossa contribuição?

 

Ousaríamos ir até a borda e correr o risco de sentir sensações como de uma brisa, ainda que gélida? Ou fecharíamos os seus vidros diante do incômodo?

Texto escrito por: Fabiana Colimoide

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