Blog Livros e resenhas- O que vem antes / Fabiana Colimoide

Precursor vem daquele que anuncia. Que de fato precede alguém ou algo. Associaria livremente o prefácio de renomado escritor em um determinado livro como aperitivo para o interesse do leitor por todo o conteúdo. Bem como a importância da propedêutica, que é a ação ao terceiro ano de medicina, para o devido preparo do acadêmico para lidar com as questões da categoria.

 

Enfim, em todas essas poucas definições, o destaque é para o que antecede. O que vem antes dentro de um ciclo ocorrido e necessário. Gosto de um fato histórico ocorrido biblicamente. Remete-me a refletir no nosso papel dentro deste ciclo historicista até nosso hodierno momento chamado “hoje”.

 

Ele nascera seis meses antes de seu esperado primo. Fruto da velhice dos pais tinha uma vida singular, porém, marcante. Comia coisas simples, defendia interesses nada momentâneos, pregava de valores e princípios inegociáveis, impulsionava as mudanças necessárias como alguém que estimulava a transformação, o sair da mesmice… Assim João Batista prosseguia dia após dia como precursor dAquele Homem, Jesus Cristo, que mudaria o mundo ao redor, com sua presença e ensinos. Sim, João Batista era apenas o que antecederia ao Messias.

 

João apenas vivia, com roupas simples e sem ostentação, bem como uma alimentação natural, na simplicidade do saudável e necessário para si. As honras não seriam sobre seu nome e genealogia. Anteviu pela fé nas promessas ensinadas pelos pais, compartilhou ao redor e reconheceu que não era digno de batizar à Cristo, pois se viu como um torpe pecador. Em não raras ocasiões, quando as pessoas o confundiam com O Messias que viria a libertar o povo, buscava todas as oportunidades de encaminhar-lhes a fé para Aquele que haveria de ver.

 

Isto, eu confesso, me intrigava. Sim, o fato de alguém fazer todo um trabalho antes e quem receber as honras ser o sucessor. Injusto? Aos olhos faltos de entendimento certamente, mas aos desígnios de Deus ele fora um grande homem, aliás, maior homem que existiu, não tendo outro semelhante.

 

O que foi relevante? Sua visão de que era muito mais importante que ele diminuísse e o outro crescesse foram contrárias ao que hoje temos no mundo. Um mundo com um orgulho torpe, onde o ter se apodera do próprio ser e este se torna apenas mais um na multidão.

 

Hoje, não diferentemente daquele tempo, creio que, precisamos de homens e mulheres com um espírito como o foi de João Batista.  Deixemos nossas capas de poderosos, donos do saber e do poder. Desçamos do pedestal da  glória fugaz, que queremos para amaciar nosso ego. Ego, nosso aliado ou pior inimigo.

 

Hoje, incorremos no fatídico equívoco de querer sempre ter, ser na condição de dominar as honras e glórias por sabermos ou fazermos e pior, pelo tanto que possuímos materialmente e até intelectualmente.

 

Perdemos conseguinte o ser oportuno de anteceder, preceder a história alheia, com sabor de a fazermos acontecer com cumplicidade, com humildade e um altruísmo abnegado em crescimento. João pregava uma vida com produção de frutos com a naturalidade de repartir uma túnica ou comida e não querer nada além do que é seu por direito, sem força, contudo. Importa que uns cresçam e outros diminuam, mas que não desviemos o olhar do caminho percorrido por todos, de diversos modos e modelos, porém um caminho pra todos.

 

Os holofotes do mundo podem nos ofuscar o verdadeiro brilho que a vida nos quer proporcionar… Talvez por isso João tenha sido, segundo a Bíblia, citado pelo seu sucessor, Jesus  Cristo que: “Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista”. Mateus 11:9-11. As honras neste caso são eternas.

Escrito por: Fabiana Colimoide.

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