Blog Livros e resenhas- Quem acompanhará nossos passos?/Fabiana Colimoide

Quando pequenos nossos passos são curtos e às vezes vacilantes no chão batido desta vida. Oscilamos e poderemos até tropeçar e cair frente a algum obstáculo. Na medida em que vamos crescendo, muitas alterações ao redor nos impulsionam à frente e a orquestra hormonal nos dá sua canção quando estamos como adolescentes. Cheios de inquietações, descobertas e tantas decepções que nos amadurecem aos poucos.

Mas, volto-me ao fato dos passos. As descobertas não são fáceis de serem vividas. Quisera-nos nascer sabendo! Iria doer menos, pois em cada experiência, poderemos nos amargar nas decepções e dissabores.

Recordo-me assim de um filme que ilustra um homem que nasce velho e regride a um bebê. Já nasceu “pronto”. Confesso que às vezes essa utopia poderia ser uma realidade, mas não o será. Felizmente. As experiências sempre serão necessárias e mui válidas ante o que nos aguarda no futuro próximo e no presente ativo.

Quando infantes, precisamos de que nos segurem nas mãos e nos ajudem na caminhada. Os mais experientes com paciência nos acompanham passo a passo. Um por vez.

Quando o atropelo vem, teremos as mãos e a companhia de alguém ao nosso lado. Uma pessoa experiente, valorosa e que nos sensibiliza com aconselhamentos oportunos. Não digo, imposição ou modo ditatorial de dizer o que deve ser feito. Mas me refiro ao incentivo, ao apoio e ensino de fora para dentro. Um incentivo ao pequeno se tornar pensante e não um corpo sem senso crítico ante as suas futuras escolhas.

E isto, confesso, vale-se não somente aos educadores de salas de aula, mas a todos os que já trilharam um percurso e têm certamente algo a compartilhar e agregar ao outro, em especial nesta fase de inúmeras inquietações e decisões a serem fixadas.

Recordo-me de uma situação ocorrida entre dois irmãos quando jovens ainda. Um enganara o outro em troca de privilégios do pai. Fora um ladrão da primogenitura, podemos assim dizer. Jacó andara errante a fugir de Esaú que não o perdoara. O tempo os aproximou e o perdão existiu nos corações. Não estavam mais tão pertos e o reencontro acontecera. Ambos com suas famílias caminhavam para um local comum. Jacó tinha muitos gados, animais variados e mulheres e crianças a lhe acompanhar. Os passos do seu irmão Esaú eram apressados após rever seu irmão e Jacó decidiu assumir a retaguarda e acompanhar os passos das crianças, mulheres e dos animais, pois não aguentariam o apressar da caminhada e incorriam no risco de perderem a vida. Ele não teve pressa. Apenas via que um objetivo estava à frente, mas que precisava acompanhar os passos dos mais fracos para aquela caminhada de volta. Ambos os irmãos com a restauração dos laços familiares concretizadas, bem como objetivos a frente.

O acompanhar como Jacó o fez aos mais debilitados na caminhada é passível de nossa admiração. Assim como temos tantos outros homens e mulheres que hoje se dispõem a acompanhar os passos dos mais tenros e menos favorecidos de forças nas escolhas e decisões a frente. Sim, estes necessitam de alguém que lhes acompanhem a caminhada.

E os homens e mulheres que se dispõem a acompanhar os passos, ainda que curtos, mas com maestria a despertar nos pequenos e jovens o senso de direção, estão assim de parabéns e requerem nossas preces para terem sempre sabedoria dos céus para continuarem.

Hoje, neste vasto mundo de inversão de valores e princípios, temos a frente o desafio que nossa idade fisiológica e nossa maturidade emocional permitem de fazermos a diferença nos nossos juvenis e jovens que estão ao nosso redor. Não precisaremos ser dotados de diplomas das grandes academias, mas precisamos ser diplomados na academia da vida humana, onde acompanhar o outro é a maior lição a ser ofertada para quem ainda não sabe caminhar nos seus próprios passos tão seguros em si.

Essa segurança, a vida quem dará, mas far-nos-à bem como adultos vividos o privilégio da contribuição na formação, no senso crítico e no despertar para a mesma vida que ensina um pouco a cada novo dia.

Quem acompanhará os nossos passos? É uma pergunta latente em muitos olhares de nossos jovens e crianças desesperançados de um futuro melhor do que esse presente vivido. Ainda valerá a pena acompanhar tais meninos e meninas. Eles crescem e nós se assim o fizermos também cresceremos um pouco mais a cada dia. Creio sim ser isto um investimento e não perda de tempo… Não mesmo!

Texto escrito por: Fabiana Colimoide.

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