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Blog Livros e resenhas – Grey – Sua estante

Grey

Cinquenta Tons de Cinza pelos Olhos de Christian
E.L. James

É impossível negar que 50 Tons de Cinza ainda movimenta o mercado editorial. Prova desse fato é que, lançado a duas semanas, já são mais de 1 milhão de cópias vendidas – entre livros físicos, audio books e e-books – do quarto volume da saga intitulado “Grey” (E.L. James, 2015, Editora Vintage Anchor, 576 p.). A edição brasileira, apesar de ser a maior pré-venda do ano, está prevista para chegar apenas em setembro pela Editora Intrínseca, então li o livro original em lingua inglesa para adiantar a resenha para vocês.
Minha expectativa era bem baixa com relação a essa leitura pois não adorei e nem odiei a trilogia. Minha crítica não recai ao gênero que se popularizou como Hot, que conta com excelentes títulos, mas especificamente a obra de E.L. James que, principalmente no segundo e terceiro livros, tem sérias falhas na resolução do mistério do tal perseguidor. Porém sou uma entusiasta de versões com um outro ponto de vista e é exatamente disso que se trata Grey.

O novo livro aborda, pelo olhar do magnata Christian Grey, o enredo do primeiro volume da trilogia 50 Tons de Cinza. O mundo do precoce empresário de sucesso é, por falta de uma palavra melhor, tedioso. Exercer controle sobre tudo da maneira que Christian deseja faz com que seu cotidiano seja sem graça. Porém, as coisas mudam quando a estudante Anastasia Steele, substituindo a amiga no jornal da universidade, adentra seu escritório para entrevistá-lo. A partir deste momento, a vida de Grey ganha cores com sua obsessão em transformar a ingenua estudante em sua submissa.

Não vou me ater as polêmicas que essa temática gerou, que em minha opinião são um tanto exageradas. O problema desse novo livro é ser praticamente uma transcrição fiel do primeiro volume da trilogia. A autora perdeu uma excelente oportunidade de tornar um enredo mediano em um conteúdo mais profundo.
Acredito que não seria esperar demais que um roteiro mundialmente famoso fosse melhor desenvolvido nessa nova empreitada. A escritora Tammara Webber alcançou esse feito com o New Adult “Breakable” (2014, Editora Verus, 364 p.) – sendo o ponto de vista alternativo do bem escrito, mas beirando o clichê “Easy” (2013, Editora Verus, 306 p.) – foi convertido em uma trama intensa e relevante.

Sai a saltitante deusa interior de Anastasia e entra um inseguro Christian que repete a exaustão essas três frases: “Ela não vai aceitar. Talvez ela aceite. Foco, Grey!” – na vigésima vez que essas orações aparecem nessa mesma ordem eu já estava tão entediada quanto o protagonista. Exceto três cenas extra que não acrescentam absolutamente nada – uma com o irmão, outra com a irmã e uma terceira com Elena – o único bom acréscimo é o curto diálogo de Grey com o Dr. Flynn já no final do livro.
Se a autora tivesse modificado toda a narrativa para simular que Christian estivesse contando os acontecimentos para seu psicólogo, o enredo teria ganho a profundidade necessária e proporcionado o tipo de livro que esse protagonista complexo merecia.

Em suma, meu intuito com essa resenha não é demover o interesse nessa leitura. Se você leu a trilogia completa – e muitos leitores iniciaram-se através desses livros – certamente deve ler “Grey” também. Apenas mantenha suas expectativas tão amarradas quanto Anastasia na gravata de Christian.

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