Blog Livros e resenhas- Cidades de Papel (O Filme)

A grande pergunta que se faz ao terminar de assistir CIDADES DE PAPEL é: como se consegue fazer muito com tão pouco e, quando digo tão pouco, quero dizer que o livro fonte do filme conta uma estória simples e por isso é na minha opinião o melhor livro do autor.

 

blog livros e resenhasSinopse: Cidades de papel conta a estória de Quentin (Nat Wolff), ou só Q para os amigos, a partir do dia em que Margo (Cara Delavigne), sua antiga amiga de infância e seu grande amor entra por sua janela a noite pedindo-lhe o carro de seus pais emprestado. A garota também o convida para a melhor aventura de sua vida: um plano de vingança hilário! Porém, na manhã seguinte ele não encontra Margo na escola nem em qualquer outro lugar, contudo, ela lhe deixa pistas de seu paradeiro e Q e seus amigos Ben e Radar, juntamente com Lacey (antiga amiga de Margo) e Angela (namorada de Radar) vão atrás de Margo.

Sem querer fazer comparações de geração ou qualquer coisa do tipo, é inegável o fato de que Cidades de Papel tanto, o livro quanto o filme, tem como referências filmes clássicos dos anos 80 e 90, como “Conte Comigo”, “Clube dos Cinco” entre outros clássicos desta época e da Sessão da tarde. Não estou dizendo isto por modinha de crítica, pois quando li o livro a uns cinco meses eu resenhei o livro e coloquei na minha resenha: livro (Nerd) uma aventura nerd, tipo aqueles filmes dos anos 80.

O filme transmite um sentimento nostalgico não só por ter em sua essência referências de filmes clássicos. Existe também uma nostalgia sobre sensações e momentos que só vivemos quando jovens, deixando a mensagem para vivermos o agora, aproveitando essa etapa da juventude.

 

Se você for ao cinema achando que Cidades de Papel é o novo A Culpa é das Estrelas você está enganado, pois não é um melodrama. Cidades de Papel fala sobre o amor fraterno e o amor platônico e te prende do começo ao fim. O filme consegue ser cativante e quase que lírico ao mesmo tempo, o filme subverte o livro de uma forma que prende tanto quem leu, como quem não o leu. Quando digo subverte, quero dizer que algumas cenas do livro foram excluídas e outras foram alteradas e este é o maior acerto do filme. A direção do longa é segura e consegue enganar quem leu e surpreender os desavisados de plantão.

A direção de Jake Schreier foi certeira ao dar foco principal ao amor fraterno e a amizade, mostrando que alguns pequenos momentos da vida merecem a nossa atenção, tais como: jogar vídeo games com os amigos, falar com os amigos com a voz engraçada, fazer gracinha com música do Pokémon ou qualquer coisa do tipo. Momentos simples, mas inesquecíveis.

O humor existente no filme é crucial a trama, mas sem ser exagerado. É um humor necessário para aflorar e demonstrar a amizade de Q e seus amigos.

 

Agora vamos falar sobre Margo! Assim como no livro, ela aparece pouco, porém ela não é superficial ou apenas um pretexto para o filme. A trama de Margo é boa e convincente: uma garota atrás de seu destino, atrás daquilo que preencha seu ser, está buscando aquilo que faça ela deixar de ser UMA GAROTA DE PAPEL, mas, ao mesmo tempo, ela é o motor do filme apesar de aparecer pouco. Cara Delavigne consegue trazer para as telonas uma Margo misteriosa, astuta e sensível e meio que egocêntrica, entretanto, sem ser exagerada.

Quentin é o estereótipo perfeito do Nerd tímido, porém a atuação de Nat Wolff consegue cativar e trazer empatia. Ele interpreta um Nerd, mas sem ser o nerd estereotipado com óculos grandes e espinhas no rosto. Quentin é um garoto romântico e quem assisti consegue torcer por ele e percebe que, acima de tudo, ele vê em Ben e em Radar os melhores amigos que alguém poderia ter.

 

Coadjuvantes:blog livros e resenhas

Marcus\Radar (Justice Smith) é um bom personagem, preocupado com os estudos e a faculdade, e quando tem sua chance em tela ele consegue segurar o público e fazendo-os dar algumas gargalhadas e a trama secundária dele é hilária (quem leu o livro sabe do que estou falando) e o namoro dele com Angela é fofinho.

Angela (Jaz Sinclair) é a namorada de Radar e até que é legal o pequeno romance deles.

Lacey (Halston Sage) é uma boa personagem e é perceptível sua mudança através do filme (passa da garota supostamente fútil para a garota inteligente).

Ben (Austin Abrams) simplesmente é o melhor coadjuvante do filme, e por várias vezes rouba a cena do protagonista (Nat Wolf). Ele é hilário! Típico amigo Nerd sem noção e é isso que é cativante, o ator faz um trabalho excepcional.

O diretor consegue transpor de forma palpável os trechos mais importantes do livro para a telona e faz isso de uma forma sutil, sem parecer forçado.

Os roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber – os mesmos de ACEDE – conseguem mais uma vez fazer um bom trabalho, só que desta vez eles incrementam elementos e, em alguns pontos, melhoram a trama de John Green, conseguindo melhorar o melhor livro de John Green na minha opinião. As alterações que foram feitas dão outra perspectiva sobre cada personagem ao decidirem focar a estória em temas como amizade verdadeira e que pequenos momentos podem ser inesquecíveis.

E o que eles não alteraram também fica crível e bem legal como por exemplo o fato de que não existe ninguém perfeito, o amor platônico de Q, as referências as Walt Whitman e ao significado real de Cidades de Papel e traz também as metáforas do livro.

A abordagem leve e suave do roteiro é um êxito por si só, principalmente por estarmos em tempos de filmes como “Transformers” ou “Velozes e Furiosos”.

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Outro ponto positivo do filme é que, a maior parte da equipe técnica de ACEDE também faz parte deste filme e isto é muito bom, pois a fotografia e os cenários são impecáveis e de um esmero sensacional.

Cidades de Papel é um filme simples, porém tem muito a dizer. Sei que muita gente pode se decepcionar com este filme por ele não ser tão sentimentalista, mas como deu para perceber este é o maior acerto do filme: com tão pouco pode se fazer muito! Cidades de Papel te cativa emociona e te faz rir no momento certo, sem que seja de maneira exacerbada, deixando, ao acabar, a impressão de quero mais, pois são somente cerca de 2 horas de duração.

Os principais pontos fracos do filme foram Lacey e Angela que, apesar de serem personagens legais, não incrementam muito a trama – acho que poderiam ter dado um tempo de tela maior a elas. Outro ponto ruim é que o filme poderia ter dado um tom maior de suspense ao mistério e poderiam ter colocado mais uns 20 ou 25 minutos a mais de duração. Mesmo tendo lido o livro, o filme Cidades de Papel me surpreendeu e muito, pois o tom do filme não era como eu imaginava, sendo uma grata surpresa para mim – sensível, bem-humorado, romântico, sincero e com uma pequena pitada de mistério, possuindo um roteiro harmônico e personagens cativantes e não estereotipados.

Minha nota: 9.7

Resenha escrita por: Marcos Vinicius.

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