Nota do Editor

““Ele nunca conseguiu entender a presunção de intimidade que os fãs sentem com aqueles que nunca conheceram”. (ROBERT GALBRAITH, in: O Chamado do Cuco, 2013)

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Blog Livros e resenhas

O Chamado do Cuco

(Cormoran Strike # 01)

Robert Galbraith

O detetive particular Cormoran Strike inaugura essa nova série de livros ao investiga a morte suspeita de uma modelo problemática que despenca de sua própria sacada. Declarado pela polícia se tratar de um provável suicídio, o irmão da famosa incumbe o falido detetive com a missão de provar a ocorrência de crime.

Talvez o vazamento do pseudônimo da autora da saga mundialmente famosa “Harry Potter” –J.K. Rowling, 2009, Editora Rocco – seja uma das jogadas de marketing mais bem-sucedidas do mercado editorial atual. Sem gastarem nada, conseguiram os mais disputados espaços publicitários dos jornais e blogs para divulgarem esse policial tipicamente britânico.

J.K. Rowling / Robert Galbraith em O Chamado do Cuco – The Cuckoo’s Calling, 2013, Editora Rocco, 447p. – faz praticamente uma homenagem aos grandes detetives que a literatura em lingua inglesa nos agraciou. O livro é muito bem escrito, porém possui um ritmo mais lento do que os thrillers americanos, o que pode assustar alguns leitores.

Eu gosto muito desse estilo europeu, pois os personagens e a ambientação ganham uma maior profundidade, em que recriam a vida londrina com seus incansáveis paparazzi chafurdando a intimidade dos ricos, alimentando toda uma indústria da fama.

Strike é um veterano de guerra ferido gravemente em combate, mas provavelmente os danos psicológicos sofridos desde a infância causaram mais prejuízos em sua vida do que qualquer sequela física. Tanto no âmbito pessoal como no profissional, a vida do investigador é uma desordem completa, mas ele encontra alívio em sua inesperada parceria com Robin, sua nova secretária temporária.

No melhor estilo Holmes e Watson, Robin traz um pouco de equilíbrio ao caótico cotidiano do investigador e simultaneamente, encontra nele o estímulo que nunca acreditou estar ao seu alcance.

Igualmente a personagem Hermione da saga “Harry Potter”, a secretária almeja realizar seus desejos pessoais e fazer diferença no mundo e nem por isso quer deixar de lado seus sonhos de mulher, como casar. Fico com a impressão de que a autora já fez mais pela causa feminista com seus livros do que muitas feministas radicais, pois chega a ser inspiradora a luta de suas personagens para não terem que abrir mão de nenhum dos aspectos da vida sem se sentirem culpadas, o que é tão fácil para os homens.

Em contraponto a Robin, surge a figura de Lula Landry, modelo endeusada após sua trágica morte, simboliza tudo o que o dinheiro não pode resolver: abandono, família desestruturada e um vazio existencial que resulta na busca pela fama e no refúgio das drogas. Cabe ao detetive falido desvendar se a jovem modelo conseguiu ser resiliente e superar as adversidades ou sucumbiu as desventuras da sua complexa realidade.

A resolução do mistério não me agradou muito, parecendo um pouco preguiçosa, mas não compromete o prazer dessa leitura. Tenho certeza que vou adorar acompanhar o desenrolar da dinâmica entre Srike e Robin no próximo volume da série “O Bicho da Seda” – Robert Galbraith, The Silkworm, 2014, Editora Rocco, 464p.

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