Nota do Editor

Death Note, Volume 1: Tédio Tsugumi Ohba “Humanos... são tão divertidos! ” (TSGUMI OHBA, in: Death Note, Volume 1: Tédio, 2007)

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leitura
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diversão
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conteúdo

Blog Livros e resenhas – Death Note

Nunca antes me aventurado no universo dos mangás, sou apresentada por um amigo a esse primeiro volume do cultuado “Death Note: Tédio” (Tsugumi Ohba, Death Note, Vol. 1: Boredom, 2007, Editora JBC Mangás, 200 páginas). Sendo que toda minha experiência com HG se resumia a zilhões de exemplares da “Turma da Mônica” na infância e alguns “X-men” na adolescência, foi uma grata surpresa ter me deparado com este estilo tão peculiar de quadrinhos.

A princípio já esbarro em mudanças físicas: os mangás, diferentemente dos livros ocidentais, são lidos do final para o começo. Apesar de ser bizarro para nossos costumes, o estranhamento desaparece logo no final do primeiro capítulo e lá para a metade do livro, quando os acontecimentos estão desenrolando – ou no caso se enrolando ainda mais – eu já me perguntava porque não ler ao contrário? Certamente sair dos nossos hábitos quebra o tédio e é exatamente desse tema que se trata o livro.

Sem nada de interessante para fazer no Mundo dos Shinigamis, o Deus da Morte Ryuk deixa cair intencionalmente na Terra o seu Death Note. O caderno possui poderes macabros: a pessoa que tem seu nome escrito nele, morre! O Death Note acaba indo parar na mão de Light Yagami. Aluno exemplar, porém entediado, que ao descobrir os sinistros poderes do caderno negro, decide virar um justiceiro e varrer a criminalidade da face da Terra. As seguidas mortes idênticas de criminosos em vários países diferentes acabam chamando a atenção da Interpol, que, por sua vez, pede ajuda ao maior detetive do mundo, conhecido apenas por “L”, para resolver o caso. Inicia-se assim um frenético jogo de gato e rato entre Light e seu perseguidor implacável, enquanto Ryuk diverte-se com os acontecimentos que se desenrolam em decorrência do uso do Death Note.

Ryuk, deus da morte Shinigamis, em um certo aspecto se assemelha aos deuses gregos e romanos. Na maioria dessas lendas, a interferência que causam na Terra, muitas vezes por motivos egoístas e fúteis, tem sérias consequencias para a humanidade e é exatamente isso que ocorre quando o Death Note vem parar na Terra. Enquanto Ryuk se entretém com a sagacidade que Light demonstra ao usar o caderno, evita simultaneamente a única ameaça a sua vida: que, devido o tédio, se esqueça de coletar as almas necessárias para suprir suas necessidades imortais.
Ao acompanhar Light, o leitor assume a mesma perspectiva do deus da morte Shinigamis, testemunhando, com um certo grau de cumplicidade passiva, os planos do estudante. O surpreendente nesses planos é que o jovem não pretende ser meramente um justiceiro, mas quer também ser conhecido e temido. Esses traços de personalidade megalomaníaca se acentuam com a perseguição do enigmático detetive L.

Na minha percepção, Light e L são duas faces da mesma moeda. Ambos possuem uma inteligência fora do comum, mantém sua identidade em segredo e, para deleite do imortal Ryuk, não poupam as vidas que cruzam seus caminhos nos esforços para alcançarem seus objetivos. As consequências dessa batalha de egos entre os dois oponentes provavelmente serão sentidas no próximo volume da saga.
“Death Note” também deu origem a uma série de animes produzidos em 2006/2007 e são diversão garantida para quem já curtiu o mangá. Ver os capítulos ganharem vida nessa animação é a cereja do bolo nessa imersão cultural. Afinal de contas: “Humanos são tão divertidos”!

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