Nota do Editor

““Isso cabe a você descobrir, se assim desejar. Ou você também pode parar no formato que eles deram a água”. (ANDREA CAMILLERI, in: A Forma da Água, 1999)

7
LEITURA
8
DIVERSÃO
8
CONTEÚDO

Blog Livros e resenhas – A Forma da Água – Andrea Camilleri

Procuro sempre me aventurar por diferentes gêneros de livros, mas vira e mexe uma ficção policial me agarra e só consigo me desvencilhar após terminar de ler a última página. Foi exatamente isso que correu com A Forma da Água (La forma dell’acqua, 1999, Editora Record) do italiano Andrea Camilleri.

Esse é o primeiro livro que apresenta o comissário de polícia Salvo Montalbano, responsável por protagonizar uma extensa série que já conta com pelo menos dezenove volumes. Mas não assustem! Pelo menos A Forma da Água tem um enredo fechado, não dependendo de continuação e acredito que toda a série seja assim. Se a britânica Agatha Christie pode dedicar mais de quarenta livros ao seu famoso detetive Poirot, porque o italiano Camilleri também não poderia dedicar uma vasta coleção – já traduzida em mais de nove idiomas – ao seu comissário?
Montalbano investiga a morte do mais importante político do distrito de Montelusa na Sicilia, Silvio Luparello, encontrado seminu em seu carro na vizinhança do Curral, uma fábrica desativada que concentra boa parte dos negócios escusos da cidade, como o tráfico de drogas e prostituição.

Se o livro fosse ambientado em Nova York o caso, por sua conotação sexual, seria certamente investigado pela Universidade de Vítimas Especiais – lembram do seriado de tv Lei e Ordem – Unidade de Vítimas Especiais (Law & Order – UVE, 1999-2015) com dezessete temporadas de sucesso que acompanha um esquadrão especializado em crimes sexuais? – Porém estamos na Sicília e o comissário tem que fazer o melhor possível em circunstâncias nada favoráveis.

Na verdade, em vários momentos do livro fui surpreendida com a sensação de que se trocassem os nomes dos personagens, esse enredo poderia ser transportado para qualquer cidade brasileira sem necessidade de mais adaptações, pois a semelhança entre a vida na ilha italiana e o nosso cotidiano brasileiro é impressionante.
Tentando entender os acontecimentos que transformaram a aparente morte natural de Luparello em um escandalo, o comissário é dragado pelo mundo da manipulação política e corrupção enquanto esbarra em pessoas que apenas tentam sobreviver as adversidades impostas por suas próprias escolhas de vida ou por questões sociais alheias ao seu controle, como a imigração ilegal ou uma cidade falida em que cidadãos graduados se conformam em ser lixeiros por falta de oportunidade de trabalho.

Apesar de ser uma leitura leve e rápida, possuindo apenas 144 páginas – ideal para um fim de semana ou para aqueles raros, porém necessários, minutinhos que conseguimos relaxar – o autor faz uma crítica certeira a sociedade siciliana e por consequência, provavelmente inadvertidamente, a nossa também. Não é à toa que o escritor deixa uma bem-humorada nota não se responsabilizando pelas coincidências da sua ficção com os fatos reais.

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