blog livro – Never Never – vol.1

“Tinha que ser algo que

ela saberia que

nunca iria se cansar.

Nunca iria parar de amar.

Duas palavras sobressairam

 em sua sentença:

 ‘Never Never’, eu sussurrei”.

(HOOVER, C.; FISHER T.,

in: Never Never – vol.1, 2015)

 

Da parceria entre as autoras norte-americana Colleen Hoover e Tarryn Fisher surge o surpreendente primeiro volume da trilogia, ainda sem tradução para o português, Never Never (2015, Editora Hoover Ink, 140p.). Segundo a própria Colleen Hoover – responsável pelas séries de sucesso “Métrica” e “Hopeless” – o livro começou como uma brincadeira entre as duas escritoras, porém, o resultado as agradou tanto que rendeu uma trilogia.

Silas Nash e Charlie Wynwood se veem em meio ao colégio com uma estranha amnésia. Não reconhecem ninguém, nem um ao outro e muito menos a si próprios, mesmo que não tenham problemas com informações de senso comum, escrever ou dirigir. O casal se une para desvendar suas vidas e as causas desse misterioso acontecimento.

Em meio a esta situação de crise, Charlie, mesmo sem memória, se mostra uma menina sarcástica e até mesmo um pouco amarga, enquanto Silas é um garoto bem-humorado. Não é à toa que os dois descobrem ter um relacionamento bem complicado.

Confesso que se algo no gênero ocorresse comigo, eu correria para o hospital mais próximo pensando estar passando por um surto psicótico ou, no mínimo, um derrame. Acredito que a reação dos jovens ao manter segredo durante uma circunstância tão bizarra seja uma alegoria a respeito da adolescência – fase em que é normal se fecharem entre seus pares e preferem experimentar o mundo em vez de recorrer a experiência dos adultos, principalmente daqueles que dependeram a vida toda.

E é exatamente uma rixa entre as famílias que os desmemoriados acreditam estar no meio. Saindo dos devaneios da infância em que os pais são perfeitos, a próxima etapa da vida normalmente traz aquela decepção ao descobrir que nossos ídolos são pessoas cheias de defeitos como todas as outras. Essa descoberta se torna muito mais intensa quando você nem ao menos se lembra de seus pais.

Contudo, não é apenas da análise sobre os parentes e amigos que o enredo se concentra, mas principalmente na autodescoberta. Intercalando capítulos entre o ponto de vista da Charlie e do Silas, acompanhamos os jovens em busca de informações sobre si mesmos, tendo uma perspectiva totalmente nova sobre suas próprias vidas, suas escolhas e erros. A maioria das pessoas precisam de anos de terapia para terem a oportunidade de se autoanalisarem do modo que faz o casal.

Contendo uma escrita fluida em miseras 140 páginas, Never Never tem uma leitura extremamente rápida e existe uma explicação no final do último capitulo para o livro ser tão curto – não direi mais nada a esse respeito para não deslizar para um spoiler.

Esse YA-lit – Literatura Young Adults – dependendo do enfoque que o leitor der maior relevância, pode ser classificado em diversos generos – romance, drama, suspense e até mesmo sobrenatural, se valendo da cidade de New Orleans, conhecida por ter uma cultura voltada a bruxaria e suas lendas.

O primeiro volume fica com um gosto de aperitivo, dependendo das duas continuações, que já estou ansiosa para ler, para fazer sentido. Porém, sendo praticamente uma fábula sobre a inconstância da adolescencia e o poder de ser reinventar todos os dias, vale a espera para ver essa trilogia chegar ao Brasil.

Confiram a resenha na SUA ESTANTE do livro Maybe Someday de Colleen Hoover, uma das autoras de Never Never.

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